🌕 A Lua está a encolher, e isso nota-se

Publicado por Adrien,
Fonte: The Planetary Science Journal
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Um mapeamento recente destacou que a superfície da Lua está repleta de milhares de cristas tectónicas recentes, revelando uma lenta contração da sua estrutura interna.

Pela primeira vez, uma equipa científica estabeleceu um mapeamento global destas pequenas rugas, denominadas cristas de maria. Publicada na The Planetary Science Journal, a sua investigação mostra que estas formações são jovens e estão amplamente distribuídas pelas planícies escuras visíveis da Terra.


Uma pequena crista de maria na região nordeste da Mare Imbrium, capturada pela câmara da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University

Ao contrário da Terra, onde as placas tectónicas se movem, a Lua possui uma crosta única que se comprime ao longo do tempo. Ao arrefecer, o seu interior compacta-se, exercendo forças que enrugam a superfície, criando estas cristas. Este fenómeno é comparável ao observado nas terras altas lunares, mas ocorre aqui nos mares, estas vastas extensões basálticas.

A análise permitiu identificar mais de mil cristas adicionais, elevando o seu número total para mais de 2600. A sua idade média ronda os 124 milhões de anos, colocando-as entre as características geológicas mais recentes da Lua. Esta juventude indica que o nosso satélite continua a sua evolução.

Estas cristas não são apenas curiosidades geológicas; podem estar associadas a sismos lunares. Uma vez que se formam ao longo de falhas semelhantes às das terras altas, sinalizam zonas onde poderão ocorrer tremores. Esta descoberta altera o mapa de risco sísmico na Lua, um elemento a considerar para futuras missões tripuladas.


Uma crista de maria localizada na bacia do Polo Sul-Aitken, no lado oculto da Lua.
Crédito: NASA/LROC/GSFC/Arizona State University

Os autores indicam que este mapeamento completo ajuda a antecipar onde estes eventos poderão ocorrer. Enquanto programas como o Artemis se preparam, um melhor conhecimento destes riscos permitirá garantir a segurança dos astronautas e organizar as explorações de forma mais adequada.

O que são os sismos lunares e como se detetam?


Os sismos lunares, ou moonquakes, são tremores que ocorrem à superfície da Lua. São comparáveis aos sismos terrestres, mas geralmente menos poderosos.

As suas origens podem ser múltiplas: impactos de meteoritos, forças de maré exercidas pela Terra ou, como indica este estudo, a atividade tectónica relacionada com a contração. Para os detetar, os investigadores utilizam sismómetros, instrumentos sensíveis às vibrações. Durante as missões Apollo, sismómetros depositados na Lua registaram numerosos eventos.

Atualmente, graças às sondas em órbita e às missões futuras, a monitorização ganha precisão. Esta informação permite mapear as zonas de risco e examinar a estrutura interna da Lua, o que é fundamental para a segurança de futuras explorações humanas e robóticas.
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