Um estudo demonstra que os magmas provenientes de vulcĂ”es intraplaca continentais contĂȘm concentraçÔes de diĂłxido de carbono (COâ) dissolvido atingindo vĂĄrios por cento em peso, muito superiores ao que era estimado atĂ© entĂŁo.
A anĂĄlise de gotĂculas de magma aprisionadas nos cristais revela que a erupção desses vulcĂ”es Ă© acompanhada por emissĂ”es maciças de COâ, contribuindo de maneira significativa para os fluxos de COâ para a atmosfera no ciclo do carbono na Terra.

Imagem Wikimedia
Medir diretamente o COâ dos magmas
A maioria das estimativas dos teores de COâ dos magmas baseia-se em abordagens indiretas, pois estes degazam massivamente durante sua ascensĂŁo para a superfĂcie. Neste estudo, os pesquisadores se basearam em amostras coletadas na provĂncia vulcĂąnica do Baixo Vivarais (ArdĂšche, Maciço Central), uma das regiĂ”es vulcĂąnicas mais recentemente ativas da França metropolitana. Mais precisamente, eles analisaram gotĂculas de magma aprisionadas nos cristais de olivina, chamadas inclusĂ”es magmĂĄticas.
O uso de uma tĂ©cnica experimental inovadora de alta pressĂŁo e alta temperatura, simulando as condiçÔes de uma cĂąmara magmĂĄtica em profundidade, permitiu-lhes medir diretamente a quantidade de COâ contida no magma antes de seu degasamento. Os resultados revelam concentraçÔes atingindo 4,8 % em peso de COâ, as mais elevadas registradas atĂ© hoje neste tipo de contexto vulcĂąnico.

Teores mĂĄximos de CO2 medidos em magmas pobres em sĂlica em contexto intraplaca continental (triĂąngulo azul) e para as ilhas oceĂąnicas (cĂrculo vermelho).
Uma riqueza em carbono hĂĄ muito subestimada
Este estudo tambĂ©m mostra que esta riqueza excepcional em COâ dos magmas reflete na realidade um enriquecimento em carbono do manto fonte e poderia concernir uma ampla gama de provĂncias vulcĂąnicas intraplaca em escala mundial. Os resultados sugerem assim que os magmas ricos em COâ constituem a regra e nĂŁo a exceção nos contextos intraplaca, e em particular nos ambientes continentais.
Repensar o papel dos vulcÔes intraplaca continentais no ciclo global do carbono
Estes trabalhos indicam que os vulcĂ”es intraplaca continentais podem liberar na atmosfera quantidades de CO2 muito mais importantes do que o que seu tamanho modesto deixa supor. Se estes valores forem extrapolados para o conjunto das provĂncias vulcĂąnicas intraplaca, estas emissĂ”es poderiam ser mais elevadas do que o antecipado, com implicaçÔes maiores para o ciclo do carbono e as interaçÔes entre vulcanismo e clima na escala dos tempos geolĂłgicos.
No futuro, a contribuição dos vulcĂ”es intraplaca continentais para o fluxo mundial de CO2, ainda que menores em comparação com as emissĂ”es antrĂłpicas, e seu potencial para provocar perĂodos de aquecimento deverĂŁo ser reavaliados Ă luz destas novas estimativas.

EmissĂ”es de CO2 e volume de magma produzido durante as erupçÔes recentes. Quantidade de CO2 emitida por unidade de volume de magma produzido (Mt.km-3 ; cĂrculos, com o eixo das ordenadas Ă direita) e volume de magma produzido (km3 ; retĂąngulos, com o eixo das ordenadas Ă esquerda) para uma sĂ©rie de erupçÔes recentes, histĂłricas e prĂ©-histĂłricas, incluindo a erupção do Jaujac na provĂncia do Baixo Vivarais (este estudo).