☄️ Mudança de data para a mais antiga cratera de impacto da Terra

Publicado por Adrien,
Fonte: Geology
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A mais antiga cratera de impacto da Terra acaba de ganhar uma séria rejuvenescedora: 470 milhões de anos a menos do que se pensava! Localizada na Austrália Ocidental, a North Pole Dome era até agora datada em 3,47 bilhões de anos. Um novo estudo, publicado na Geology, a reduz para cerca de 3 bilhões de anos.

Para chegar a essa nova estimativa, cientistas da Universidade Curtin utilizaram técnicas de datação avançadas em minerais presentes nas rochas da cratera. O zircão, um mineral particularmente resistente, desempenhou um papel central. Ao analisar suas formas cristalinas incomuns, os pesquisadores puderam identificar os vestígios deixados pelo impacto meteorítico. Esses resultados coincidem com os obtidos a partir de outros minerais, como a apatita, reforçando a confiabilidade da idade proposta.


Essa nova datação ainda faz da North Pole Dome a cratera de impacto mais antiga conhecida na Terra, superando em quase 800 milhões de anos a seguinte, a de Yarrabubba, também na Austrália. Ela também é o único exemplo reconhecido do éon Arqueano, um período entre 4 e 2,5 bilhões de anos atrás, quando os primeiros continentes estavam se formando.

Os pesquisadores insistem na dificuldade de datar crateras tão antigas. As rochas, submetidas ao calor, fluidos e pressões durante bilhões de anos, frequentemente perdem os vestígios originais do impacto. O zircão, verdadeiro "relógio mineral", permite contornar esse problema ao conservar uma memória dos eventos térmicos intensos.

Essa descoberta lança uma nova luz sobre os primórdios da Terra. Saber que um impacto tão poderoso ocorreu há 3 bilhões de anos ajuda a entender como os meteoritos moldaram nosso planeta. A cratera da North Pole Dome não é apenas a mais antiga: ela é uma chave para decifrar a infância geológica da Terra.


Os pesquisadores analisaram zircão e outros minerais nas rochas da North Pole Dome.
Crédito: Curtin University


Os cones de percussão: assinaturas de impacto únicas


Quando um meteorito atinge a Terra em alta velocidade, a onda de choque se propaga pelo solo e deforma as rochas de maneira muito específica. Um dos vestígios mais característicos é a formação de cones de percussão, também chamados de shatter cones. São fraturas em forma de cone ou leque, visíveis a olho nu nos blocos rochosos. Sua presença é considerada uma evidência quase certa de um impacto, pois nenhum processo geológico natural os reproduz.

Essas estruturas se formam em poucos segundos, sob pressões colossais, da ordem de 2 a 30 gigapascais. Seu tamanho varia de alguns centímetros a vários metros. No caso da North Pole Dome, o estudo inicial se baseava na sua presença para datar o impacto em 3,47 bilhões de anos. Mas as novas pesquisas mostram que esses cones podem ter sido modificados por eventos posteriores, como aquecimentos ou circulação de água, tornando sua datação direta menos confiável.

É por isso que os geólogos preferem hoje datar os minerais que sofreram uma transformação devido ao impacto, em vez dos próprios cones. O zircão, por exemplo, recristaliza parcialmente sob o efeito do calor intenso, registrando assim a idade do impacto. Essa abordagem permite contornar as alterações secundárias e obter idades mais precisas para os impactos mais antigos.
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