🍄 Os 'cogumelos mágicos' poderiam acalmar a agressividade sem efeitos colaterais

Publicado por Adrien,
Fonte: Fronteiras em Neurociência Comportamental
Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Um composto que, em baixa dose, acalma os indivíduos mais agressivos sem torná-los apáticos: é isso que a psilocibina, a substância ativa dos 'cogumelos mágicos', parece fazer em um peixe particularmente belicoso.

Presente em mais de 200 espécies fúngicas, essa molécula interage com os receptores de serotonina no cérebro e pode influenciar o humor e a agressividade em mamíferos. Mas seu papel preciso no comportamento social permanecia incerto. Um estudo recente mostra que baixas doses reduzem seletivamente a agressividade exacerbada do peixe rivulus dos manguezais, sem suprimir as interações sociais. Essa ação visa os ataques que consomem energia, mas poupa os comportamentos de exibição.


O peixe rivulus dos manguezais é um modelo ideal devido à sua forte agressividade natural e à facilidade de observação.

Durante o experimento, um peixe foi colocado com outro peixe servindo de estímulo atrás de um divisor opaco. Após cinco minutos, o divisor foi removido para observar a interação. Vinte e quatro horas depois, o mesmo peixe foi exposto à psilocibina dissolvida por vinte minutos e, em seguida, reintroduzido ao mesmo peixe estímulo. O comportamento foi novamente monitorado. Esse design de medidas repetidas permitiu que a equipe comparasse o comportamento de cada peixe antes e depois da exposição, controlando as diferenças individuais.

Os peixes que receberam psilocibina movimentavam-se menos e apresentavam menos "bursting" (impulsos de natação de alta energia), comportamentos de ataque que consomem energia. Curiosamente, as exibições frontais, um comportamento de avaliação social de baixa energia, permaneceram inalteradas. Como explicam os pesquisadores, os impulsos de natação representam uma escalada da agressividade sem contato físico, enquanto as exibições são mais uma forma de comunicação. Essa atenuação seletiva das ações custosas indica que a psilocibina tem como alvo vias neuronais específicas envolvidas na escalada de conflitos, e não a atividade geral.

Esses resultados constituem a primeira evidência de que a psilocibina pode reduzir seletivamente a agressividade exacerbada em um vertebrado.

O estudo examinou apenas doses únicas e baixas em períodos curtos. Os efeitos de longo prazo, a exposição repetida ou a adaptação permanecem desconhecidos. Trabalhos futuros deverão determinar se a redução da agressividade persiste e explorar por que alguns comportamentos são afetados e outros não.

Com base nessas pesquisas, os cientistas poderão entender melhor como a psilocibina modifica a sinalização neuronal e quais vias serotoninérgicas estão envolvidas.
Página gerada em 0.244 segundo(s) - hospedado por Contabo
Sobre - Aviso Legal - Contato
Versão francesa | Versão inglesa | Versão alemã | Versão espanhola