🛰️ Ostras para purificar a água no espaço

Publicado por Adrien,
Fonte: Harrisburg University News
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Ostras para filtrar a água dos astronautas? É pelo menos o projeto sério de pesquisadores da Universidade Harrisburg, na Pensilvânia. Em colaboração com a startup Monolith Space, eles estudam como esses bivalves poderiam desempenhar um papel essencial nas futuras expedições, fornecendo tanto água potável quanto alimento.

As ostras não são as únicas criaturas examinadas: algas, moluscos e peixes também estão na lista. A equipe também está interessada na hidroponia, um método de cultivo de plantas na água. Segundo Jacob Scoccimerra, fundador da Monolith, esta pesquisa é única entre os projetos alimentares espaciais. Até onde ele sabe, nenhuma ostra ainda viajou para o espaço, mas ele espera que isso mude em breve.


Um dos maiores obstáculos é a ausência de instalações dedicadas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Um antigo habitat aquático, capaz de abrigar pequenos peixes, foi removido em 2012 e não era adequado para ostras. Jacob Scoccimerra destaca que nenhum equipamento atual é grande o suficiente para esses organismos. Por isso, um novo protótipo foi desenvolvido: um sistema de aquicultura em circuito fechado, especificamente projetado para organismos marinhos.

Esse protótipo, fruto da colaboração entre a Universidade Harrisburg e a Monolith, foi apresentado em abril de 2026. Ele utiliza sementes (bebês ostras) e as acompanha até a idade adulta. O sistema é automatizado e controlado, e já foi instalado nas instalações da Monolith em Washington D.C., onde as ostras são alimentadas e monitoradas continuamente. Este projeto está aproximadamente a um terço do caminho para estar pronto para um voo espacial, de acordo com os níveis de maturidade tecnológica da NASA.

A NASA acompanha este projeto de perto, pois a agência classificou a alimentação e a nutrição para a Lua e Marte como prioridades. Os especialistas da NASA ajudaram a refinar o sistema para atender aos requisitos de lançamento. O objetivo final é enviar um pequeno experimento a bordo da ISS ou de uma futura estação espacial comercial. Jacob Scoccimerra esclarece que o obstáculo não é tanto técnico, mas científico: a biologia aquática foi pouco estudada no espaço em comparação com a microbiologia ou a fisiologia humana.

Os humanos consomem ostras há pelo menos 100 000 anos, como atestam descobertas arqueológicas na África do Sul. Essa longa história de convivência com esses moluscos pode muito bem se estender além do nosso planeta. Se as pesquisas atuais derem certo, as futuras missões lunares ou marcianas poderão se beneficiar desse sistema de filtração natural, combinando simplicidade e eficiência.

Sistemas de suporte de vida biogenerativos


Esses sistemas usam seres vivos para suprir as necessidades dos astronautas em alimento, água e oxigênio. Ao contrário dos métodos físico-químicos (como filtros de carvão ou reservas de oxigênio), eles se baseiam em ciclos naturais. Por exemplo, plantas podem produzir oxigênio e alimento, enquanto micro-organismos ou animais como as ostras filtram e purificam a água.

Uma vantagem importante é a sustentabilidade: esses sistemas podem funcionar em circuito fechado, reduzindo a dependência de reabastecimentos da Terra. As pesquisas atuais concentram-se em organismos robustos e fáceis de manter. A integração de várias espécies (peixes, plantas, moluscos) permite criar um ecossistema em miniatura, mais resiliente do que uma solução única.

As dificuldades são muitas, especialmente o controle de doenças e a adaptação à microgravidade. Mas os avanços nessa área podem transformar as missões de longa duração, oferecendo maior autonomia. As ostras, por sua capacidade de filtrar grandes volumes de água, representam uma via promissora para os futuros habitats espaciais.
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