Perfurar o núcleo de uma célula sem destruí-la: está feito

Perfurar o núcleo de uma célula sem destruí-la parece uma façanha técnica. No entanto, pesquisadores acabam de descobrir um método não invasivo que pode revolucionar as terapias genéticas.

Uma série de nanopilares permite abrir temporariamente a membrana nuclear das células. Este processo garante uma intervenção sem degradar sua estrutura externa.

Imagem SEM de uma célula posicionada na rede de nanopilares.

Imagem SEM de uma célula posicionada na rede de nanopilares.
Crédito: Ali Sarikhani

O núcleo de uma célula, que contém o DNA, é protegido por uma membrana muito seletiva. Tradicionalmente, acessar essa zona exige técnicas invasivas que, às vezes, levam à destruição da célula.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram um método inovador que se baseia no uso de nanopilares, estruturas microscópicas na forma de pequenos cilindros. Quando a célula é posicionada sobre essa rede, a membrana nuclear que protege o DNA entra em contato com esses nanopilares. Sua disposição particular e o tamanho criam uma leve pressão sobre a membrana, provocando uma deformação controlada. Essa deformação induz a formação de aberturas minúsculas na membrana, suficientemente grandes para permitir a introdução de material, como medicamentos ou genes terapêuticos, sem danificar a célula.

O que torna essa técnica única é que essas aberturas são temporárias. De fato, uma vez que a célula é removida da rede de nanopilares, a membrana nuclear se fecha por si mesma, devido às suas propriedades de elasticidade. Esse processo de "cicatrização" natural garante a preservação da integridade da célula, o que é essencial para garantir que ela continue a funcionar normalmente após a intervenção.

Este método abre muitas possibilidades, especialmente na terapia genética. Ao direcionar diretamente o núcleo, ele permitiria corrigir genes defeituosos ou tratar doenças genéticas com uma precisão inédita.

Ilustração de como o núcleo de uma célula (verde) se deforma ao redor dos nanopilares e provoca a formação de fendas temporárias em sua membrana, que se auto-reparam.

Ilustração de como o núcleo de uma célula (verde) se deforma ao redor dos nanopilares e provoca a formação de fendas temporárias em sua membrana, que se auto-reparam.

Paralelamente, a administração de medicamentos poderia se beneficiar deste avanço. Os nanopilares permitem introduzir tratamentos diretamente no núcleo das células doentes, reduzindo assim os efeitos colaterais associados a terapias mais invasivas.

Os pesquisadores continuam suas investigações para compreender melhor os mecanismos de reparação da membrana nuclear. Otimizar esse processo é essencial para garantir sua utilização clínica de forma segura.

Os resultados desta pesquisa foram publicados na Advanced Functional Materials.