Pela primeira vez, a rotação de um disco onde nascem planetas pôde ser observada diretamente ao mapear a emissão de grãos de poeira. Trata-se do disco que envolve a jovem estrela AB Aurigae.
Embora pareça girar globalmente de acordo com as leis da física, algumas regiões do disco próximas à estrela apresentam um desvio inesperado.
O disco protoplanetário de AB Aurigae. Crédito: ESO/A. Boccaletti et al.
A origem desta anomalia?
Segundo os cientistas, um conjunto de indícios apontaria para a presença de planetas gigantes em formação.
Este estudo, conduzido por pesquisadores do CNRS no Observatório de Paris - PSL e da Universidade de Bordeaux, foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics em 1º de junho de 2026. Ele traz uma visão inédita sobre os mecanismos de formação planetária e a dinâmica complexa dos discos protoplanetários.
Graças às capacidades únicas do instrumento SPHERE no infravermelho próximo e à sua excepcional resolução espacial, a equipe pôde acompanhar com precisão as estruturas do disco e sua evolução ao longo de três observações, coletadas em um intervalo de 4 anos.
Os cientistas identificaram uma estrutura brilhante, característica das zonas de acreção onde gás e poeira se acumulam e caem sobre um objeto em formação. Esse fenômeno está especialmente envolvido na formação de planetas gigantes gasosos.
As imagens do disco de AB Aurigae revelam também a rotação rápida de finas sombras projetadas na superfície por estruturas invisíveis, potencialmente protoplanetas (planetas em formação) ou aglomerados de poeira opaca, em órbita próxima à estrela.
Esses resultados, mais complexos do que o previsto pelos modelos teóricos, destacam a importância de continuar as pesquisas para detectar diretamente as propriedades dos protoplanetas ou dos aglomerados responsáveis pelas estruturas observadas no disco de AB Aurigae.