💨 Recorde: matéria soprada a 30% da velocidade da luz

Publicado por Adrien,
Fonte: The Astrophysical Journal
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A três bilhões de anos-luz, um buraco negro gigante sopra com uma violência quase inimaginável. Seu vento cósmico pulveriza um recorde no ultravioleta.

O objeto chama-se J2318. Trata-se de um quasar, ou seja, o núcleo muito luminoso de uma galáxia distante. No centro, um buraco negro supermassivo engole matéria. Sua massa atinge 1,7 bilhão de vezes a do Sol, um valor elevado, mas não excepcional para este tipo de astro.

Ao redor desse monstro gravitacional, um disco de acreção reúne gás e poeira. A matéria aquece intensamente antes de cair em direção ao buraco negro. Essa fornalha brilha em várias faixas do espectro eletromagnético. Ela também emite luz suficiente para repelir parte do gás para o espaço, apesar da imensa atração gravitacional.


Vista artística de um quasar alimentado por um buraco negro supermassivo cercado por um disco de matéria ardente.
Crédito: ESO

No caso de J2318, esse gás expelido atinge 30% da velocidade da luz. Isso corresponde a cerca de 323 milhões de quilômetros por hora. Segundo os pesquisadores, nenhum vento de buraco negro tão rápido havia sido medido no ultravioleta.

Na Terra, o vento nasce de diferenças de pressão na atmosfera. Perto de um quasar, nada disso. O sopro é impulsionado pelos fótons, essas partículas de luz emitidas em número colossal pelo disco incandescente.

Esses fótons atingem os átomos e íons do gás, transmitindo-lhes um pequeno impulso. Somados por bilhões de bilhões, esses minúsculos choques podem produzir uma aceleração extrema. No entanto, um mistério permanece: uma luz tão intensa deveria arrancar os elétrons dos átomos.

Ora, os astrônomos ainda observam assinaturas de carbono e silício no vento de J2318. Para identificar esses indícios, a equipe estudou os espectros obtidos pelo Sloan Digital Sky Survey. Assim como um prisma decompõe a luz do Sol, esses dados revelam os comprimentos de onda absorvidos ou emitidos pelos quasares. Essas pegadas luminosas denunciaram a presença de um fluxo ultrarrápido. Elas também permitem estimar sua velocidade.

O desafio vai além do simples recorde. Esses ventos transportam enormes quantidades de energia para sua galáxia hospedeira. Eles podem expulsar o gás frio, a matéria-prima de novas estrelas. Os buracos negros centrais poderiam, portanto, frear o nascimento estelar e modificar toda a evolução das galáxias.

As simulações numéricas já incluem esse choque violento entre buraco negro e galáxia. Mas as observações continuam indispensáveis para verificar esses modelos. Os pesquisadores continuarão, portanto, a caça aos ventos ultrarrápidos, desde galáxias próximas até as regiões mais distantes observáveis.
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