Algumas pessoas idosas, com mais de 80 anos, mantêm uma agilidade mental e uma memória excepcionais. Como conseguem conservar capacidades cognitivas semelhantes às de pessoas de 50 ou 60 anos? Uma publicação recente na
Alzheimer's & Dementia traz indicações sobre os fatores genéticos potenciais por trás desta notável preservação cerebral.
Conduzida por investigadores da Universidade Vanderbilt, esta investigação focou-se nas variantes genéticas presentes nessas pessoas com desempenhos memoriais elevados. O objetivo consistia em determinar se genes especÃficos estão associados a esta forma de envelhecimento bem-sucedido, comparando estes "super-séniores" com outros grupos da mesma idade.
Imagem de ilustração Pixabay Os resultados revelam uma diferença marcada na presença da variante APOE-ε4, conhecida por aumentar o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Os super-séniores são muito menos susceptÃveis de ter este gene em comparação com pessoas da mesma idade com demência. Esta observação indica que a ausência deste fator de risco poderá contribuir para a sua resiliência cognitiva, mesmo face ao envelhecimento normal.
Por outro lado, a equipa notou uma frequência mais elevada da variante APOE-ε2 nos super-séniores. Este gene está frequentemente ligado a uma proteção contra a doença de Alzheimer. A sua presença aumentada leva a crer que poderá oferecer uma vantagem adicional, ajudando a preservar as funções cerebrais ao longo dos anos, o que confirma a ideia de uma influência genética na saúde mental a longo prazo.
Para chegar a estas conclusões, o estudo analisou os dados de mais de 18 000 participantes, provenientes de várias coortes nacionais sobre o envelhecimento. Os super-séniores foram definidos como pessoas de 80 anos ou mais cujos scores memoriais ultrapassavam a média dos observados em adultos cognitivamente normais com idades entre 50 e 64 anos. Esta abordagem permitiu incluir uma diversidade de perfis, com representantes de diferentes origens étnicas, para uma análise mais robusta.
Os investigadores explicam que estas descobertas incentivam a utilizar o fenótipo dos super-séniores para identificar mecanismos de resistência à doença de Alzheimer. Estes trabalhos, os mais vastos até à data sobre este assunto, oferecem novas perspetivas para compreender como certos genes podem modular o desenvolvimento da demência e a capacidade de envelhecer com boa saúde mental.
Assim, estes trabalhos destacam o papel potencial da genética na preservação das funções cognitivas nas pessoas idosas. Eles propõem pistas para pesquisas futuras que visam descobrir meios de favorecer um envelhecimento cerebral saudável, inspirando-se nas caracterÃsticas destes indivÃduos excepcionais.