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🫧 Por que a quantidade de metano aumentou fortemente desde 2019?
Publicado por Adrien, Fonte: CEA Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Na atmosfera, a quantidade de metano, o segundo gás de efeito estufa de origem humana após o dióxido de carbono, aumentou a um ritmo sem precedentes no início dos anos 2020.
Um estudo internacional publicado em 5 de fevereiro de 2026 na revista Science, que contou com a participação de cientistas do Laboratoire des sciences du climat et de l'environnement (LSCE - CEA/CNRS/UVSQ), levanta hoje o véu sobre os mecanismos por trás dessa disparada. Os resultados mostram que a combinação da crise sanitária mundial e de fenômenos climáticos extremos modificou profundamente o equilíbrio da atmosfera.
Imagem ilustrativa Pexels
No início dos anos 2020, a quantidade de metano aumentou a um ritmo inédito desde o início das medições, antes de desacelerar a partir de 2023. Ao analisar observações por satélite, medições no solo, dados sobre a química atmosférica e usando modelos computacionais avançados, um estudo conduzido pelo LSCE destacou dois fatores: sua menor captação na atmosfera após a queda das emissões de poluentes e emissões aumentadas provenientes de zonas úmidas.
Uma queda nas emissões de certos poluentes durante o confinamento
O estudo mostra que uma forte queda nos radicais hidroxila entre 2020 e 2021 explica cerca de 80% da variação anual no crescimento do metano. De fato, esses radicais são produzidos pela radiação ultravioleta que transforma certos gases poluentes do ar em moléculas muito reativas e desempenham um papel chave na "limpeza" da atmosfera, destruindo o metano. Quando sua concentração diminuiu, o metano se acumulou muito mais rapidamente.
Essa queda nos radicais está parcialmente ligada aos confinamentos durante a pandemia de Covid-19. A redução das emissões de certos poluentes atmosféricos, como os óxidos de nitrogênio e o monóxido de carbono, modificou de fato a química do ar e enfraqueceu temporariamente a capacidade da atmosfera de eliminar o metano, reduzindo a concentração desses radicais.
Papel amplificador do clima e das zonas úmidas
A esse primeiro fator somou-se um aumento real nas emissões naturais de metano, particularmente as provenientes de zonas úmidas (pântanos, lagos, solos saturados de água). Entre 2020 e 2023, um período climático marcado por condições mais úmidas (La Niña) favoreceu a atividade microbiana nesses ambientes, especialmente na África tropical e no Sudeste Asiático, levando consigo um aumento nas emissões de metano. Inversamente, as zonas úmidas da América do Sul sofreram um declínio acentuado em 2023, durante uma seca extrema ligada ao fenômeno El Niño.
Os pesquisadores ressaltam que os modelos atuais de emissões de metano ainda subestimam amplamente o papel das zonas úmidas e dos ecossistemas inundados. Esses resultados defendem um reforço da vigilância ambiental, uma melhor compreensão dos processos microbianos e uma integração mais refinada da química atmosférica e da variabilidade climática.
Ao contrário de certas hipóteses, o estudo mostra que as emissões provenientes de combustíveis fósseis e de incêndios florestais tiveram um papel limitado no aumento recente do metano. As análises isotópicas confirmam que as fontes microbianas (zonas úmidas, águas interiores e agricultura) foram os principais motores do aumento observado.
Um sinal de alerta para a pesquisa e as políticas climáticas
"Ao fornecer o balanço mundial mais recente do metano, nosso estudo demonstra que o metano reage muito rapidamente a mudanças globais, sejam elas climáticas ou ligadas às atividades humanas. Compreender esses mecanismos é essencial para melhor antecipar a evolução do clima e orientar as políticas de redução das emissões", explica Philippe Ciais, climatologista do CEA no LSCE e primeiro autor do estudo.
Ao trazer uma visão integrada das interações entre clima, química atmosférica e emissões naturais, este estudo fornece chaves essenciais para acompanhar melhor a evolução do metano em escala mundial. Ela também lembra que o combate à mudança climática passa por uma compreensão fina dos equilíbrios naturais, às vezes frágeis, de nosso planeta.