Para desvendar este enigma, cientistas da Universidade do Arizona realizaram simulações computacionais de uma grande cratera localizada perto do polo norte do asteroide. O seu trabalho, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, visa prever o que a missão da NASA – cuja chegada está prevista para 2029 – poderá observar ao analisar a morfologia desta depressão. A equipa testou várias arquiteturas internas, comparando um cenário com um núcleo metálico envolto em rocha a uma estrutura onde os materiais estariam uniformemente misturados.
Concretamente, as simulações reconstituÃram a formação de uma cratera com cerca de 48 quilómetros de largura por 5 de profundidade, utilizando um impactador de 5 quilómetros de diâmetro a atingir uma velocidade tÃpica da cintura principal. Os resultados obtidos correspondem bem à s dimensões observadas, mas sem ainda separar estritamente as duas hipóteses de composição. A integração da porosidade nos cálculos permitiu, no entanto, refinar as previsões relativas à forma da cratera e à distribuição dos ejecta.
Finalmente, elucidar a natureza de Psyche iluminará os mecanismos de formação planetária no inÃcio do Sistema Solar. Se este asteroide se revelar ser um núcleo planetário exposto, oferecerá uma vista única sobre as fases violentas da acreção, normalmente inacessÃveis em planetas como a Terra. No outro caso, a sua estrutura mista fornecerá informações sobre as colisões intensas que esculpiram os pequenos corpos.
As simulações de impacto por hidrodinâmica
Para realizar este estudo, os investigadores utilizaram códigos computacionais avançados de hidrodinâmica de partÃculas suavizadas. Estas ferramentas recriam virtualmente as colisões entre asteroides simulando o comportamento dos materiais sujeitos a forças extremas. Uma versão 3D de Psyche, construÃda a partir de dados de observações por telescópios, foi assim "atingida" por um impactador virtual de tamanho e velocidade realistas para a cintura principal.
Estes modelos permitem testar diferentes hipóteses sobre a estrutura interna fazendo evoluir parâmetros como o tamanho do impactador, o ângulo de colisão ou a composição do alvo. Geram depois previsões precisas sobre a morfologia da cratera (largura, profundidade) e a distribuição dos materiais ejetados. Ajustando estes parâmetros, torna-se possÃvel identificar qual o cenário que melhor corresponde à s observações atuais, preparando assim o terreno para a análise dos futuros dados da missão.