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🦟 O mosquito principal vetor da malária evoluiu: adaptou-se aos inseticidas
Publicado por Adrien, Fonte: Institut Pasteur Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Cientistas do Instituto Pasteur da Guiana contribuíram para um estudo internacional de vigilância das populações do mosquito Anopheles darlingi, principal vetor da malária na América do Sul.
O estudo, conduzido por uma equipe de cientistas da Harvard T.H. Chan School of Public Health, é o primeiro a sequenciar mais de 1.000 genomas completos de mosquitos presentes em seis países da América do Sul. O estudo da diversidade genética realizado pelos cientistas destaca evoluções recentes do genoma relacionadas a genes de resistência potencial a inseticidas. Os resultados foram publicados na revista Science em 26 de março de 2026.
Durante um ano, os cientistas coletaram mosquitos fêmeas do gênero Anopheles darlingi distribuídos em 16 locais em seis países da América do Sul: Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia, Guiana e Guiana Francesa. O estudo dos 1.094 genomas revelou que existe uma pressão seletiva de alelos potencialmente resistentes a inseticidas em alguns desses genes nessas populações de mosquitos na América do Sul.
As variações genéticas associadas a essas resistências estavam ligadas a zonas geográficas onde a agricultura é a atividade principal. Essa assinatura genética poderia, portanto, ser devida aos inseticidas agrícolas, e não àqueles usados especificamente para o controle de vetores.
Os pesquisadores também observaram uma importante divergência genética entre os mosquitos Anopheles darlingi em todo o continente, por exemplo, entre aqueles coletados na Guiana e os coletados na Venezuela. Suas observações mostram que a espécie está se adaptando às mudanças em seu ambiente.
"As atividades de vigilância das populações de mosquitos são essenciais para contribuir para o controle de doenças transmitidas por vetores", ressalta Jean-Bernard Duchemin, pesquisador da unidade de Entomologia Médica do Instituto Pasteur da Guiana e autor do estudo.
"Esses resultados mostram os desafios persistentes que a diversidade de vetores coloca para a eliminação da malária nas Américas", acrescenta Mathilde Gendrin, chefe do laboratório Microbiota de Insetos Vetores do Instituto Pasteur da Guiana, autora do estudo.
Às vésperas da Cúpula Uma Só Saúde (One Health), que será realizada em Lyon no próximo dia 7 de abril, esta publicação lembra a importância da vigilância dos vetores de doenças infecciosas, particularmente os mosquitos, em um contexto de adaptação às transformações ambientais. O Instituto Pasteur continua sua mobilização por meio de sua participação na Cúpula e na criação de um Centro de Pesquisas sobre Doenças Transmitidas por Vetores.