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🌔 Uma instalação de quarentena na Lua para nos proteger de uma contaminação extraterrestre
Publicado por Adrien, Fonte: Universidade McGill Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Um relatório de pesquisa defende que o projeto de construção de uma base lunar da NASA deveria incluir uma instalação de bioconfinamento que protegeria a Terra contra possíveis contaminantes biológicos vindos do espaço.
"A humanidade está entrando em uma nova era de exploração espacial, mas nossas estratégias de proteção planetária não evoluíram no mesmo ritmo que os riscos relacionados ao transporte de amostras extraterrestres para a Terra", afirma Frederick I. Moxley, coautor do artigo e diretor da Strategic Threat Analysis and Research Laboratories, uma consultoria estabelecida em Idaho.
Vista artística de uma base lunar.
"A instalação proposta agiria essencialmente como um firewall entre a Terra e qualquer organismo vivo potencialmente perigoso que pudesse acompanhar o retorno de futuras missões espaciais", acrescenta Frederick Moxley. O pesquisador Anthony Ricciardi, professor James-McGill de biologia, bolsista do Instituto Trottier para a Ciência e Políticas Públicas e diretor da Escola de Meio Ambiente Bieler da Universidade McGill, é coautor do estudo.
Em seu artigo publicado na revista Ambio, Frederick I. Moxley e Anthony Ricciardi defendem que qualquer material extraterrestre coletado na Lua, em Marte ou em outros lugares deveria ser transportado para uma instalação lunar segura de quarentena e pesquisa, em vez de diretamente para a Terra.
Os autores defendem que, nessa instalação lunar, as amostras extraterrestres deveriam ser manipuladas exclusivamente por sistemas robóticos avançados, de modo a minimizar os riscos de exposição humana e vazamento acidental.
Mesmo que a existência de vida extraterrestre nunca tenha sido confirmada, os pesquisadores mantêm que a introdução de qualquer nova forma de vida na biosfera terrestre poderia acarretar consequências ecológicas imprevisíveis. Segundo eles, a história das espécies invasoras na Terra serve como um alerta.
"Décadas de pesquisa sobre espécies invasoras mostraram que um organismo introduzido no lugar errado e no momento errado pode se espalhar de forma descontrolada e produzir efeitos potencialmente devastadores e irreversíveis de longo prazo nos ecossistemas", afirma Anthony Ricciardi, especialista em invasões biológicas. "Nosso trabalho explica a fundamentação de uma abordagem preventiva rigorosa em relação à introdução de organismos de origem extraterrestre."
O artigo surge em um contexto de forte crescimento da concorrência internacional e comercial na área da exploração espacial, com órgãos governamentais e empresas privadas do setor aeroespacial multiplicando missões além da órbita terrestre. Segundo os autores, esse aumento da concorrência torna mais urgente do que nunca a adoção de normas rigorosas em matéria de biossegurança.
O estudo menciona especialmente cenários catastróficos decorrentes do acidente ou falha de um veículo espacial transportando material contaminado, ou de astronautas que tenham sido expostos a ambientes extraterrestres. Os pesquisadores defendem que nenhuma instalação terrestre existente pode garantir totalmente o confinamento, a erradicação ou o controle de um microrganismo extraterrestre desconhecido em caso de acidente.
Eles concluem que, mesmo que a descoberta de vida extraterrestre possa constituir uma das maiores realizações científicas da humanidade, os riscos associados a ela devem ser levados em conta.
"A Lua, defendem eles, poderia se tornar a primeira linha de defesa biológica da humanidade."