Os modelos climáticos atuais frequentemente assumem que o aumento do CO₂ estimula a fotossíntese, o que leva a um crescimento maior das árvores, um fenômeno chamado efeito de fertilização por carbono. No entanto, os pesquisadores do estudo, publicado na Science Advances, mostram que, nos carvalhos, a assimilação de carbono e a produção de madeira podem estar desconectadas. Essa separação ocorre especialmente quando as condições ambientais não são favoráveis ao crescimento, como em períodos de seca.
Para chegar a esses resultados, os cientistas combinaram vários tipos de dados. Satélites mediram a atividade fotossintética em 137 locais no leste dos Estados Unidos e na Califórnia. Instrumentos instalados perto do topo das árvores registraram as trocas de CO₂ hora a hora, enquanto sensores fixados nos troncos acompanhavam as variações mínimas em seu diâmetro. Os anéis de crescimento e as temperaturas históricas completaram esse quadro.
Os cientistas descobriram que uma parte significativa do carbono absorvido pelos carvalhos chega depois da parada da produção de madeira. O destino desse carbono pode alterar as previsões para as florestas em um planeta em aquecimento. Crédito: Pixabay
Essas medições mostraram que, no leste dos Estados Unidos, os carvalhos param de crescer entre maio e julho, mas suas folhas permanecem ativas até outubro. Cerca de 36% da sua absorção anual de carbono ocorre após a parada do crescimento. Na Califórnia, o padrão é semelhante: o crescimento para em agosto, mas 26% do carbono é capturado depois. As folhas podem, portanto, continuar funcionando enquanto os tecidos responsáveis pela expansão da madeira já estão em repouso.
Esse descompasso tem uma explicação biológica. O crescimento das árvores depende da pressão interna da água que permite que as células se expandam. Em condições quentes e secas, essa pressão cai e o crescimento para rapidamente. A fotossíntese, por sua vez, pode continuar em um ritmo reduzido. O estudo revela que a desconexão é mais forte nos anos marcados por alternâncias bruscas entre períodos úmidos e secos, um fenômeno que tende a se intensificar com as mudanças climáticas.
Então, para onde vai esse carbono absorvido após o crescimento? Uma parte é armazenada na forma de amido para reiniciar o crescimento no ano seguinte. Outras porções servem para produzir folhas, raízes ou manter as células vivas durante o inverno. Mas esse carbono não acaba em madeira durável: ele retorna mais rapidamente para a atmosfera. Os pesquisadores agora exploram se esse fenômeno ocorre em outras espécies e em outros ecossistemas, a fim de refinar os modelos que preveem o futuro papel das florestas no ciclo do carbono.