🍷 O rótulo nas garrafas de álcool engana você

Publicado por Adrien,
Fonte: Universidade Laval
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Você teme que o seu consumo de álcool prejudique a sua saúde e acredita que uma bebida alcoólica que exibe uma tabela de informação nutricional é uma escolha melhor do que aquelas que não têm? Se for o caso, você está enganado, mas está em boa companhia, pois esta é uma crença mantida por quase 3 em cada 10 pessoas, demonstra um estudo que acaba de ser publicado na revista Preventive Medicine.


Mais de 28% das pessoas testadas acreditam que é bom para a saúde consumir regularmente esta marca fictícia de vinho branco na qual é exibida uma tabela de informação nutricional. Esta percentagem é de 17% quando o rótulo não apresenta uma tabela nutricional. — Lana Vanderlee

No Canadá, as bebidas cujo teor alcoólico está abaixo de 0,5% devem exibir uma tabela de valor nutricional na sua embalagem. As bebidas que contêm mais de 0,5% de álcool estão isentas desta obrigação, a menos que uma alegação nutricional figure no rótulo. Quando há uma tabela, a regulamentação exige que ela tenha o mesmo formato daquela encontrada nos alimentos.

"Alguns produtos alcoólicos, entre outras coisas 'prontos para beber', optam por exibir uma tabela de valor nutricional, mas a grande maioria das bebidas alcoólicas não tem", destaca Lana Vanderlee, professora da Escola de Nutrição da Universidade Laval e investigadora do Centro NUTRISS da Universidade Laval.

Várias abordagens têm sido consideradas para melhorar a transparência das informações nutricionais nos produtos alcoólicos, prossegue ela. "Os consumidores têm o direito de saber o que estes produtos contêm, mas ainda não se sabe qual seria a melhor maneira de o fazer."

Para avançar o conhecimento nesta área, a professora Vanderlee e três colegas de Ontário realizaram um inquérito online com 3880 pessoas. Para os propósitos do estudo, foram concebidos quatro rótulos, destinados a serem aplicados na parte de trás de uma garrafa de vinho.

O primeiro não apresentava nenhuma informação nutricional, enquanto o segundo exibia uma tabela de informação nutricional padrão. Os rótulos 3 e 4 apresentavam substancialmente as mesmas informações (calorias, açúcar), mas uma sob a forma de texto e a outra sob a forma de tabela cujo título não fazia referência à nutrição.


Cada pessoa que participou no estudo tinha de visualizar um destes quatro rótulos e responder à pergunta "É bom ou mau para a saúde beber este vinho regularmente?". — Lana Vanderlee

"Os rótulos 3 e 4 assemelham-se às propostas que estão atualmente em estudo nos Estados Unidos, especifica a professora Vanderlee. O Canadá não iniciou nenhuma consulta sobre este assunto, mas o que acontece nos Estados Unidos no domínio alimentar repercute-se frequentemente mais tarde deste lado da fronteira."

Cada pessoa que participou no estudo tinha de visualizar um dos quatro rótulos e, subsequentemente, responder à pergunta "É bom ou mau para a saúde beber este vinho regularmente?".

As análises mostram que o rótulo 2, aquele com a tabela de informação nutricional, recolhe o maior número de respostas positivas, ou seja, 28%. O rótulo 1, sem informação, obtém 17%. Os rótulos 3 e 4 recebem respetivamente 24% e 18% de respostas positivas.

"A presença de informação nutricional no rótulo leva mais pessoas a concluir que o produto pode ser bom para a saúde, observa a professora Vanderlee. Este efeito é mais acentuado para o rótulo que exibe a tabela de informação nutricional do mesmo tipo que as dos alimentos."

O álcool não é um alimento


Estes resultados são um pouco desconcertantes, admite a investigadora. "Sempre defendi a ideia de que as pessoas têm o direito de saber o que consomem. No entanto, no caso das bebidas alcoólicas, a informação nutricional cria a falsa impressão de que estes produtos podem ser bons para a saúde, o que não é o caso. O álcool é um fator importante de mortalidade e doenças, incluindo sete tipos de cancro, e não há um limiar mínimo seguro de consumo."

Se o Canadá tivesse de escolher um modelo de rótulo a aplicar nas bebidas alcoólicas, qual das quatro propostas testadas deveria ser escolhida? "Seria necessário evitar os rótulos que dão a impressão de que o álcool é um alimento, porque não é. O mais importante seria garantir que o rótulo contivesse um aviso sobre os malefícios do álcool para a saúde, como aquele encontrado nos produtos de tabaco ou cannabis."

Lana Vanderlee é a primeira autora do estudo publicado na Preventive Medicine. Os outros signatários são Christine White e David Hammond, da Universidade de Waterloo, e Erin Hobin, da Universidade de Toronto.
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