🔬 O que se pensava serem os animais mais antigos da Terra... não são animais

Publicado por Adrien,
Fonte: Gondwana Research
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O Ediacarano, uma era que terminou há cerca de 540 milhões de anos, é considerado o prelúdio da explosão cambriana, um período marcado por uma rápida diversificação das espécies. Até agora, alguns fósseis dessa época eram atribuídos a pequenos invertebrados, as meiofaunas. Mas as últimas análises indicam que os oceanos desse período ainda eram pobres em oxigênio para abrigar tais animais.


Fósseis de bactérias ou algas visíveis a olho nu, descobertos em um antigo fundo marinho aflorante no atual estado brasileiro do Mato Grosso do Sul.
Crédito: Bruno Becker-Kerber/Harvard University

Para compreender esse enigma, os pesquisadores usaram técnicas de ponta como a microtomografia e a nanotomografia, graças ao feixe MOGNO do síncrotron Sirius no Brasil. Esses métodos revelaram estruturas celulares preservadas nos fósseis, com paredes e até matéria orgânica, típicas de microrganismos. A análise por espectroscopia Raman confirmou a presença de compostos orgânicos nas paredes celulares, reforçando a hipótese de restos microbianos.

Os fósseis examinados provêm da formação geológica de Tamengo, no Mato Grosso do Sul. Suas formas diversas – filamentos enrolados, septos côncavos ou convexos – correspondem a diferentes espécies de bactérias e algas. Alguns espécimes continham pirita, um mineral de ferro e enxofre, indicando a presença de bactérias sulfurosas, capazes de viver em ambientes pobres em oxigênio.


Esses resultados mudam o panorama para a compreensão da explosão cambriana. Se os vestígios animais mais antigos datam realmente do Cambriano, isso significa que o oxigênio ainda não era suficiente no Ediacarano para sustentar a meiofauna. Os cientistas precisam, portanto, reavaliar as condições que permitiram o surgimento da vida animal.

Os pesquisadores esclarecem que esses fósseis não são simples vestígios de passagem de animais, mas sim os restos de comunidades microbianas gigantes. Essa descoberta convida a reconsiderar as evidências fósseis do alvorecer da vida animal e abre caminho para novas investigações sobre as condições ambientais pré-cambrianas.

Em um estudo separado, a mesma equipe identificou o que pode ser o fóssil de líquen mais antigo, também descoberto no Mato Grosso do Sul.
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