Uma rocha espacial que orbita a Terra sem ser verdadeiramente seu satélite: Kamoʻoalewa é um asteroide que pode muito bem ser um fragmento da nossa Lua. A missão chinesa Tianwen-2 acaba de alcançá-lo para revelar sua verdadeira natureza.
A sonda Tianwen-2, lançada no final de maio de 2025, percorreu milhões de quilômetros para alcançar este objeto, descoberto em 2016. Os cientistas esperam coletar amostras de sua superfície e trazê-las de volta à Terra até 2027. Uma tarefa delicada, pois a própria natureza de Kamoʻoalewa ainda é desconhecida.
Esta foto dos painéis solares da Tianwen-2 foi a primeira imagem divulgada pela agência espacial chinesa. Crédito: CNSA
Ao contrário da Lua, Kamoʻoalewa não está gravitacionalmente ligado ao nosso planeta. Trata-se de uma quase-lua, um companheiro temporário que nos acompanha há pelo menos cem anos. Sua rotação rápida, a cada trinta minutos, faz dele um dos objetos celestes mais estranhos nas proximidades.
Para coletar amostras, a Tianwen-2 dispõe de duas técnicas. Se o asteroide for um monte de entulho, ela roçará sua superfície como fizeram as missões OSIRIS-REx ou Hayabusa2. Por outro lado, se for uma rocha sólida, a sonda tentará pousar e perfurar, uma novidade mundial.
O principal enigma diz respeito à origem de Kamoʻoalewa. Em 2021, observações mostraram que ele reflete a luz como a Lua. Pesquisadores chegaram a identificar a cratera lunar Giordano Bruno como fonte provável. Mas apenas a análise das amostras poderá decidir.
Em 7 de junho, Kamoʻoalewa estava a cerca de 39 milhões de quilômetros da Terra. Crédito: NASA/JPL/Small-Body Database Lookup
As amostras também podem revelar informações sobre a água da Terra ou a formação de moléculas orgânicas. Esses dados poderão ajudar a entender como a vida surgiu. Esta missão mostra perfeitamente as ambições espaciais da China: a capacidade de coletar amostras de um asteroide é um passo em direção a viagens mais distantes, talvez para Marte.