📏 Um indicador corporal mais confiável e ainda mais simples que o IMC

Publicado por Adrien,
Fonte: The Lancet Regional Health - Americas
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Trabalhos recentes demonstram que comparar a circunferência da cintura à estatura poderia oferecer uma imagem mais adequada do que o índice de massa corporal (IMC), em uso há décadas. Este método permitiria identificar melhor onde a gordura se aloja, um fator importante para a saúde cardiovascular.

Este estudo, publicado na The Lancet Regional Health—Americas, mostra que as abordagens atuais para estimar o perigo cardíaco poderiam ignorar muitas pessoas. Com efeito, aquelas que não são classificadas como obesas de acordo com os padrões tradicionais poderiam, no entanto, apresentar um risco aumentado para o coração se a sua circunferência da cintura for elevada em relação à sua altura.


Imagem de ilustração Pixabay

Para chegar a estas observações, os cientistas examinaram os dados de saúde de 2.721 adultos brasileiros participantes num estudo longitudinal. Nenhum destes participantes sofria de doença cardiovascular no início do acompanhamento, que durou mais de cinco anos. O objetivo era ver como certas medidas corporais iniciais estavam ligadas ao aparecimento posterior de problemas cardíacos.

Os resultados destacaram que a proporção cintura/estatura permaneceu um preditor significativo mesmo após a consideração de outros fatores como a idade ou o tabagismo. Em contrapartida, a associação entre o IMC e o risco cardíaco tornou-se menos clara uma vez estes elementos considerados. Isto evidencia o interesse particular desta medida para os indivíduos cujo IMC é inferior a 30, o limiar habitual da obesidade.

A vantagem da proporção cintura/estatura reside na sua capacidade de refletir a obesidade abdominal, ligada à gordura visceral. Ao contrário do IMC, que não faz distinção entre os tipos de gordura, esta medida simples capta diretamente a distribuição das reservas de gordura em torno dos órgãos internos. Assim, uma pessoa com um IMC normal, mas uma proporção elevada, poderia ver o seu risco de desenvolver calcificação das artérias coronárias aumentar.

Os autores do estudo, como Thiago Bosco Mendes, observaram que esta proporção poderia servir como uma ferramenta de rastreio prática. Marcio Bittencourt, cardiologista, acrescentou que ela permite uma identificação precoce dos pacientes em risco, mesmo quando o seu peso, colesterol e tensão arterial parecem normais. Esta abordagem simplificada poderia, portanto, complementar as avaliações clássicas.

A implementação desta medida na prática médica corrente poderia ajudar a detetar mais cedo os sinais de alerta. Trata-se de uma pista acessível para melhorar a prevenção das doenças cardiovasculares, em particular para os indivíduos com um peso convencionalmente aceitável. O seu cálculo requer apenas uma fita métrica e o conhecimento da própria altura.

A proporção cintura/estatura: como funciona?


A proporção cintura/estatura, frequentemente abreviada WHtR, obtém-se dividindo a circunferência da sua cintura (em centímetros) pela sua altura (na mesma unidade). Por exemplo, se a sua cintura mede 80 cm e você tem 160 cm de altura, a proporção é de 0,5. Este número permite julgar a proporção de gordura acumulada em torno do abdómen em relação à sua estatura global.

Um valor superior a 0,5 é geralmente considerado um sinal de alerta para a saúde cardiovascular. Isto significa que a gordura abdominal é importante, mesmo que o seu peso total pareça normal. Este limiar é fácil de lembrar e aplicar, o que torna esta medida prática para um autocontrolo regular em casa.

Ao contrário do IMC, que só tem em conta o peso e a altura, o WHtR integra a localização das reservas de gordura. É, portanto, mais específico para avaliar o risco ligado à obesidade central. Muitos estudos mostraram que uma proporção elevada está associada a um maior perigo de desenvolver problemas como diabetes ou hipertensão.

Para calcular a sua própria proporção, use uma fita métrica flexível e meça a sua cintura ao nível do umbigo, sem apertar. Anote este valor e a sua altura em centímetros, depois faça a divisão. Interpretar o resultado com um profissional de saúde pode ajudar a adaptar o seu estilo de vida, se necessário.

A gordura abdominal e os seus efeitos no organismo


A gordura que se acumula em torno da cintura não é apenas um simples armazenamento de energia. É composta principalmente por gordura visceral, situada no interior do abdómen, em torno de órgãos como o fígado, o pâncreas e os intestinos. Este tipo de gordura é metabolicamente ativo e pode libertar substâncias que influenciam o funcionamento do organismo.

Ao contrário da gordura subcutânea, que se encontra logo abaixo da pele e é menos nociva, a gordura visceral está associada a uma inflamação crônica de baixa intensidade. Esta inflamação pode perturbar a regulação da glicemia e da pressão arterial, aumentando assim o risco de doenças cardiovasculares e de resistência à insulina.

A presença de gordura visceral em excesso também está ligada a modificações do perfil lipídico, com um aumento do mau colesterol (LDL) e uma diminuição do bom (HDL). Estas alterações contribuem para a formação de placas nas artérias, um processo que pode levar a acidentes cardíacos ou cerebrais com o tempo.

A medição da circunferência da cintura permite estimar indiretamente esta gordura visceral, pois uma circunferência elevada é frequentemente o seu reflexo. Adotar hábitos como uma alimentação equilibrada e uma atividade física regular pode ajudar a reduzir esta gordura abdominal, melhorando assim a saúde global sem necessariamente se focar na perda total de peso.
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