💥 Um mega "laser" vindo dos confins do Universo atinge a Terra

Publicado por Adrien,
Fonte: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters
Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Um sinal maser, um equivalente do laser, chegou até nós de uma galáxia distante. Sua origem e sua intensidade o tornam um caso fora do comum. O sinal viajou vários bilhões de anos pelo espaço antes de nos alcançar.

A emissão foi captada pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, após uma viagem de aproximadamente oito bilhões de anos-luz. Ao contrário dos lasers clássicos, os masers emitem no domínio das micro-ondas e das ondas de rádio. O fenômeno identificado é, por sua vez, um mega-maser de hidroxila.


Um mega-maser de hidroxila corresponde a uma emissão coerente de micro-ondas produzida por amplificação estimulada no interior de nuvens de gás muito densas. Nessas regiões, as moléculas de hidroxila (OH) são excitadas por uma radiação intensa, frequentemente ligada a uma forte formação estelar. Quando essas moléculas retornam a um estado de energia mais baixo, emitem fótons que, por sua vez, estimulam outras emissões idênticas. Esse mecanismo cria um sinal amplificado e coerente, observável a grande distância no domínio do rádio.

Sem um efeito de ampliação natural, esse sinal teria permanecido indetectável. A radiação foi desviada e amplificada pela gravidade de uma galáxia situada entre a fonte e a Terra. Esse fenômeno de lente gravitacional, descrito por Albert Einstein, age como uma lupa cósmica. Ele permite observar objetos extremamente distantes, normalmente muito fracos para serem detectados.

A distância desse mega-maser constitui um recorde. Sua observação corresponde a uma época em que o Universo tinha apenas cerca de metade da sua idade atual. Ela oferece, assim, um acesso direto às condições que vigoravam durante as fases ativas de formação das galáxias. A amplificação do sinal permite uma análise detalhada, apesar desse afastamento extremo.


Ilustração da galáxia distante a 8 bilhões de anos-luz (vermelha), ampliada por uma galáxia lente, formando um anel vermelho. A decomposição da luz de rádio revela o mega-maser de hidroxila (linha arco-íris no canto superior direito).
Crédito: Inter-University Institute for Data-Intensive Astronomy (IDIA)

Esses mega-masers aparecem com mais frequência em galáxias em colisão. Essas interações concentram grandes quantidades de gás e poeira, favorecendo uma formação estelar intensa. Nesses ambientes, as moléculas de hidroxila amplificam naturalmente as emissões de rádio. A detecção de tal sinal indica, portanto, uma atividade particularmente elevada na galáxia observada.

O estudo desse fenômeno traz informações sobre a dinâmica do gás e os mecanismos de formação das estrelas. Ele também pode revelar a presença de buracos negros supermassivos em interação. Esses sistemas são suscetíveis de produzir ondas gravitacionais, hoje ativamente buscadas pelos astrofísicos.

Conduzida por Thato Manamela, da Universidade de Pretória, essa pesquisa foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters. Ela abre o caminho para a detecção de outros mega-masers distantes, graças às capacidades crescentes dos instrumentos de rádio modernos.
Página gerada em 0.228 segundo(s) - hospedado por Contabo
Sobre - Aviso Legal - Contato
Versão francesa | Versão inglesa | Versão alemã | Versão espanhola