🧬 Uma 'abstinência sexual' de várias centenas de milhões de anos...

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Ecology & Evolution
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Os primeiros animais na Terra levaram milhões de anos para evoluir, uma lentidão que surpreende os paleontólogos. Como explicar isso, se a vida já havia emergido? Uma equipe da Universidade de Cambridge traz uma resposta: a reprodução assexuada por muito tempo freou a diversidade.

Durante o Ediacarano, há 574 milhões de anos, os primeiros animais se assemelhavam a samambaias. Não tinham boca nem órgãos, e se alimentavam absorvendo os nutrientes da água. Para se reproduzir, usavam estolhos, uma espécie de caules que davam origem a clones, como nos morangueiros atuais.


Ilustração de uma comunidade animal ediacarana.
Crédito: Hugo Salais

Nas águas ricas do Ediacarano, a vida era pacífica. Sem predadores nem concorrentes, os animais não tinham necessidade de mudar. Os pesquisadores mostraram que a reprodução assexuada limitava a competição entre os indivíduos, pois os clones conectados pelos estolhos compartilhavam os recursos. Resultado: a evolução estagnava.

Para entender esse fenômeno, os cientistas analisaram fósseis de Terra Nova com um laser, uma inteligência artificial e um modelo computacional. Este último, chamado Approximate Bayesian Computation, permitiu simular milhares de cenários para ver como diferentes estratégias de reprodução afetavam a diversidade.

Seus resultados concordam com os dados fósseis: a dispersão limitada devido aos estolhos explica por que as primeiras comunidades animais tinham poucas espécies. Depois, quando alguns animais migraram para águas menos profundas, eles sofreram estresses como marés, tempestades e variações de temperatura. Essa pressão favoreceu o surgimento da reprodução sexuada.


Fósseis de Fractofusus, um animal ediacarano.
Crédito: Emily Mitchell

Com a reprodução sexuada, as distâncias de dispersão aumentaram, permitindo que os animais colonizassem novos territórios. A competição se intensificou, acelerando a evolução. Foi isso que levou à "segunda onda" ediacarana, depois à explosão cambriana, onde a vida se tornou móvel e diversificada.
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