Alguns objetos astronômicos parecem condenados a serem "intermediários" e a permanecer nas sombras, como as anãs marrons. Muito massivas para serem planetas, mas insuficientemente pesadas para se incendiarem em estrelas, elas levam uma existência discreta.
Uma observação recente, no entanto, vem revolucionar o que pensávamos, ao revelar que processos dinâmicos poderiam oferecer-lhes uma oportunidade inesperada de se transformarem em uma estrela verdadeira.
Uma equipe de cientistas estudou dados coletados pelo Zwicky Transient Facility no observatório Palomar, o que lhes permitiu identificar um sistema binário composto por duas anãs marrons em órbita muito apertada. Esta dupla, designada ZTF J1239+8347, encontra-se a cerca de 1.000 anos-luz na constelação da Ursa Maior. Os dois objetos, cada um com uma massa de 60 a 80 vezes a de Júpiter, giram tão próximos um do outro que todo o sistema caberia entre a Terra e a Lua.
Este tipo de transferência de massa nunca havia sido observado antes em um casal de anãs marrons, o que o torna uma descoberta notável. Segundo os pesquisadores, estes sistemas poderiam ser mais comuns do que se pensa, e observações futuras com instalações como o observatório Vera Rubin no Chile poderiam revelar dezenas de outros.
Os trabalhos da equipe, liderada por Samuel Whitebook do California Institute of Technology, foram publicados na The Astrophysical Journal Letters.