🔋 Urina humana em pilhas?

Publicado por Adrien,
Fonte: Universidade McGill
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Cientistas da Universidade McGill melhoraram a eficiência de um método de conversão de urina humana em energia limpa.

Este método baseia-se no uso de células a combustível microbianas que, com a ajuda de bactérias, transformam resíduos orgânicos em eletricidade, oferecendo-nos assim uma forma sustentável e de baixo custo de tratar águas residuais e produzir energia a partir de uma fonte abundante. Durante este estudo, os cientistas determinaram as concentrações de urina ótimas para este processo.


As estações de tratamento de águas residuais, os novos recursos para energia limpa?
Imagem Wikimedia

"Sabe-se que as células a combustível microbianas limpam as águas residuais e produzem eletricidade, mas ainda se desconhecem os efeitos precisos de diferentes concentrações de urina na sua função eletroquímica, na sua eficácia em eliminar poluentes e no comportamento das comunidades microbianas", explica Vijaya Raghavan, coautor do estudo e professor de engenharia de bio-recursos.

"Respondemos a estas questões examinando sistematicamente o efeito de diferentes proporções de urina no desempenho eletroquímico e biológico das células a combustível microbianas", acrescenta ele.

Segundo o professor Raghavan, este método poderia ser utilizado para fins de produção de energia limpa em contextos como o saneamento rural, acampamentos de socorro em desastres e comunidades isoladas. Além disso, como os seus sinais elétricos mudam em função dos níveis de poluição orgânica, as células a combustível microbianas também poderiam atuar como biossensores de baixo custo, permitindo-nos monitorar a qualidade das águas residuais sem necessidade de recorrer a equipamentos complexos.

Desempenho melhorado graças a concentrações de urina mais elevadas


A equipa de investigação construiu quatro células a combustível microbianas de dupla câmara e alimentou-as com misturas de águas residuais sintéticas e urina humana em concentrações de 20%, 50% e 75%. Em seguida, testou as células durante duas semanas, monitorando a produção de energia, a remoção de poluentes e o tratamento da água, e realizando testes eletroquímicos.

Verificou que concentrações de urina mais elevadas (de 50 a 75%) melhoravam a produção de eletricidade e que a urina fornecia nutrientes essenciais que favoreciam o crescimento dos micróbios.

"A urina contém iões e compostos orgânicos essenciais que permitem uma ativação microbiana rápida, o que melhora a produção de energia e a degradação dos poluentes", explica o professor Raghavan.

Todos os sistemas de células a combustível microbianas continham uma mistura de bactérias, mas os cientistas observaram que os gêneros Sediminibacterium e Comamonas eram dominantes. As bactérias do gênero Sediminibacterium estavam presentes em maior quantidade quando a urina representava 50% da mistura, enquanto as bactérias do gênero Comamonas eram mais frequentes em concentrações de urina superiores (75%).

Como estes microrganismos contribuem para a degradação de poluentes orgânicos e para a transferência de eletrões nas células a combustível, as mudanças relativas aos gêneros dominantes poderiam explicar as diferenças na quantidade de eletricidade produzida pelos sistemas, acreditam os cientistas. Esta constatação revela, ainda, que a quantidade de urina adicionada influencia fortemente os tipos de microrganismos que se desenvolvem e a eficiência do sistema, acrescentam eles.

Para o professor Raghavan, estes resultados representam um passo importante rumo a uma economia circular melhorada.

"A utilização da urina como recurso favorece o saneamento sustentável e a recuperação de nutrientes, reduzindo assim a pressão sobre os sistemas de água doce", conclui ele.
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