🌍 Vaporizar metais na magnetosfera para combater tempestades solares

Publicado por Adrien,
Fonte: Space Weather
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Pesquisadores da Universidade de Boston imaginaram um escudo espacial ativo, batizado de StormWall, capaz de reduzir pela metade a intensidade das mais violentas tempestades magnéticas. Este projeto baseia-se em satélites que reforçariam a magnetosfera da Terra, a barreira natural que nos protege dos ataques do Sol.

As tempestades solares mais poderosas às vezes atravessam essa barreira através de um fenômeno chamado reconexão magnética. Quando os campos magnéticos do vento solar se alinham com o da Terra, eles se conectam temporariamente, abrindo um caminho para partículas energéticas. Esses eventos podem paralisar satélites, GPS, redes elétricas e comunicações. Até agora, limitava-se a prevê-los e sofrê-los.


Image credit: ESA & NASA

O StormWall age antes desse processo. Seis satélites em órbita geoestacionária transportam bário, lítio ou cálcio, mantidos em forma sólida. Detectando uma tempestade perigosa, eles vaporizam esse material. A radiação solar então ioniza as partículas, criando uma nuvem de plasma artificial. Esta deriva em direção ao limite da magnetosfera do lado do Sol, engrossando-a e perturbando a eficácia da reconexão.

Para testar a ideia, os pesquisadores simularam a tempestade histórica de maio de 2024, chamada de "tempestade do Dia das Mães". Um modelo reproduzia o evento normal, o outro com o escudo de plasma. Resultado: a intensidade caía mais de 50%. Como explica Brian Walsh, responsável pelo estudo, é como construir uma barreira contra uma enchente: é melhor agir do que apenas prever.

A implementação requer uma massa equivalente a uma dúzia de caminhões-tanque de material, distribuída entre os seis satélites. O sistema é de uso único: uma vez que o material é liberado e ionizado, não pode ser recarregado. O custo é, portanto, elevado, mas pode se tornar rentável diante dos crescentes investimentos em infraestruturas orbitais, como centros de dados espaciais, que protegeria.


Uma nave espacial em órbita geossíncrona libera materiais que derivam em direção à magnetopausa diurna.
A geometria representa um corte do plano equatorial terrestre.

Os riscos de contaminação são baixos: o plasma artificial é levado pelo vento solar em cerca de seis horas, sem cair na Terra. E como a magnetosfera protege todo o planeta, o StormWall beneficiaria a humanidade inteira, sem distinção. O estudo foi publicado em 2 de junho na revista Space Weather.

Como uma nuvem de plasma pode proteger a Terra?


O plasma é um gás ionizado, ou seja, cujos átomos perderam seus elétrons, tornando-se eletricamente condutores. No StormWall, vaporizam-se metais como o bário que se ionizam sob o efeito do Sol. Esse plasma forma uma nuvem que se desloca em direção à magnetosfera do lado do Sol, aumentando a densidade de matéria nessa fronteira.

Esse excesso de matéria atua como um amortecedor: perturba as linhas de campo magnético e impede seu alinhamento perfeito com as do vento solar. Sem esse alinhamento, a reconexão magnética torna-se menos eficaz, até impossível. As partículas solares são então desviadas ou desaceleradas, reduzindo a energia transmitida ao nosso planeta.

A vantagem desse método é que utiliza materiais relativamente simples e que o plasma é temporário: é varrido pelo vento solar em algumas horas. Assim, os riscos de poluição espacial são limitados. É uma solução proativa, ao contrário dos escudos passivos ou da simples previsão meteorológica espacial.
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