🔬 Ao contrário do que se pensava, os cabelos não "crescem"

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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O crescimento dos nossos cabelos pode seguir uma lógica contrária às ideias recebidas. Durante décadas, os cientistas acreditaram que os cabelos eram simplesmente expelidos do folículo. Uma publicação recente modifica radicalmente essa visão ao destacar um mecanismo ativo de tração.

Graças a uma técnica de imagem tridimensional que permite observar células em movimento ao vivo, equipes da L'Oréal e da Universidade Queen Mary de Londres acompanharam a dinâmica dos folículos pilosos humanos em cultura por um longo período. Essa janela de observação única ofereceu uma visão dos processos biológicos.


A genética, os hormônios e a idade podem afetar o crescimento dos cabelos.
Imagem ilustrativa Pixabay

As observações mostraram assim que as células da bainha externa do folículo realizam espirais descendentes enquanto produzem uma força orientada para cima. Os autores propõem que esse movimento atue como um minúsculo motor, puxando ativamente o cabelo para fora. Para confirmar essa hipótese, experiências bloquearam a divisão celular sem interromper o crescimento, enquanto a perturbação de proteínas como a actina desacelerou o processo em mais de 80%.

Consequentemente, essa revisão da mecânica folicular abre perspectivas para a compreensão dos distúrbios capilares. Ela direciona a pesquisa para tratamentos visando não apenas a bioquímica, mas também o ambiente físico. Essa pista poderia até ter repercussões na medicina regenerativa, para além da simples queda de cabelo.

O método de imagem utilizado permite agora avaliar ao vivo o efeito de compostos em folículos vivos. Esse avanço acelera os trabalhos ao fornecer um modelo mais representativo das reações biológicas. O objetivo é conceber terapias mais eficazes atuando sobre as forças internas dos tecidos.

Publicados na Nature Communications, esses trabalhos constituem um avanço notável. Eles encorajam a reconsiderar os fundamentos do crescimento capilar e a explorar novas abordagens terapêuticas, com aplicações potenciais ampliadas para a saúde.


a–c: Movimentos das células no folículo piloso. Nas diferentes zonas do folículo, as células da bainha externa (ORS) deslocam-se para baixo realizando rotações ao redor do bulbo. Algumas percorrem o folículo, outras soltam-se ou remontam enquanto permanecem em contato com a papila dérmica.

d: Esquema recapitulativo dos movimentos observados. Segundo sua posição, as células ORS deslocam-se paralelamente ao eixo do folículo ou perpendicularmente ao redor do bulbo.

e: Velocidade de deslocamento das células segundo as camadas. O gráfico compara as velocidades das células do córtex, da bainha interna (IRS) e da bainha externa (ORS), distinguindo os movimentos paralelos e perpendiculares.
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