đŸ©ș Cancro: uma IA prevĂȘ metĂĄstases com 80% de precisĂŁo

Publicado por Adrien,
Fonte: Cell Reports
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Células cancerosas capazes de permanecer no lugar... ou de partir para conquistar o corpo: essa diferença é crucial e muda completamente o prognóstico dos pacientes.

Um estudo da Universidade de Genebra, publicado na revista Cell Reports, traz um novo esclarecimento sobre este fenómeno. Mostra que a capacidade de um cancro se propagar depende tanto do coletivo quanto das próprias células.


O cancro torna-se particularmente perigoso quando forma metåstases, ou seja, quando células deixam o tumor original para colonizar outros órgãos. No entanto, nem todos os cancros se comportam assim. Alguns permanecem localizados, o que aumenta fortemente as chances de cura.

Para compreender o que faz a diferença, os investigadores estudaram cĂ©lulas provenientes de tumores do cĂłlon. Isolaram vĂĄrios "clones", ou seja, grupos de cĂ©lulas idĂȘnticas, e observaram o seu comportamento em laboratĂłrio e em animais. O objetivo era ver quais eram capazes de migrar e formar metĂĄstases.

Em paralelo, analisaram a atividade dos genes nessas células. Os genes podem estar mais ou menos ativos, e esta atividade influencia diretamente o comportamento das células, nomeadamente a sua capacidade de se deslocar.

Os resultados mostram que certas assinaturas genéticas estão ligadas a uma maior mobilidade. Por outras palavras, algumas células estão programadas para se tornarem mais invasivas. Mas o aspeto mais surpreendente estå noutro ponto.


Algumas células desenvolvem formas e comportamentos que favorecem o seu deslocamento e a invasão de outros tecidos.
Crédito: Ariel Ruiz i Altaba, UNIGE

Os investigadores descobriram que este potencial não depende apenas de uma célula isolada. Depende também das interaçÔes entre vårias células. Em grupo, as células cancerosas parecem organizar-se e cooperar, o que facilita a sua migração.

A partir dessas observaçÔes, a equipa desenvolveu uma ferramenta baseada em inteligĂȘncia artificial, chamada MangroveGS. Este programa analisa inĂșmeras assinaturas genĂ©ticas para estimar o risco de um cancro se propagar. Testado com dados de pacientes, esta ferramenta conseguiu prever metĂĄstases e recidivas com uma precisĂŁo prĂłxima dos 80%. Supera, assim, os mĂ©todos atuais, muitas vezes menos fiĂĄveis face Ă  diversidade dos cancros.

Concretamente, este avanço pode mudar a abordagem dos pacientes. A partir de uma simples amostra tumoral, os médicos poderão avaliar o risco de propagação. Isso permitiria adaptar os tratamentos, evitando terapias pesadas para alguns, ou reforçando a vigilùncia para outros.

As assinaturas genéticas identificadas não se limitariam ao cancro do cólon. Poderiam também estar relacionadas com outros cancros, como os do pulmão, da mama ou do estÎmago, o que alarga ainda mais o interesse destes trabalhos.
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