🥩 A cratera quebequense que se faz passar por carne

Publicado por Adrien,
Fonte: Agência Espacial Europeia
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Desde a órbita terrestre, nosso planeta revela às vezes paisagens que evocam mais quadros abstratos do que mapas geográficos. Por trás dessa impressão artística esconde-se uma riqueza de informações científicas, coletadas por satélites como os da missão Copernicus Sentinel. Em vez de simples fotografias, esses instrumentos registram a Terra em vários comprimentos de onda, incluindo aqueles que escapam ao olho humano.

Os cientistas combinam então esses dados para criar imagens em cores falsas, que facilitam a distinção entre florestas, tundra, água livre e gelo. Esse processo transforma observações técnicas em visões ao mesmo tempo estéticas e úteis, revelando detalhes de outra forma imperceptíveis.


A cratera de Manicouagan aparece em vermelho nesta representação em cores falsas.
Crédito: contém dados modificados do Copernicus Sentinel (2022), processados pela ESA

Por exemplo, uma imagem recente mostra uma estrutura circular surpreendente na paisagem canadense, que atrai imediatamente o olhar. Sem contexto, essa imagem faria pensar em um pedaço de carne gorda visto de perto. Mas não é nada disso.

Essa forma circular, frequentemente chamada de "o olho do Québec", corresponde à cratera de Manicouagan, situada na província canadense. Ela se formou há cerca de 214 milhões de anos após o impacto de um asteroide de aproximadamente cinco quilômetros de diâmetro. A colisão deixou uma cicatriz perfeitamente visível desde o espaço, com a ilha René-Levasseur em seu centro, como uma pupila no meio do olho.

Hoje, essa cratera abriga um reservatório criado nos anos 1960 para um projeto hidroelétrico, mostrando como uma formação antiga pode ser integrada a infraestruturas modernas. Os satélites Sentinel-2, com suas treze bandas espectrais, permitem visualizar essas mudanças com uma precisão de até dez metros, oferecendo uma perspectiva ampla enquanto mantêm os detalhes locais.

Na imagem, as cores vivas têm significados precisos: o branco indica a neve, o azul corresponde ao gelo ou às superfícies congeladas, e o vermelho marca uma vegetação densa, como a floresta boreal ou a tundra. Essa zona faz parte de uma reserva da biosfera reconhecida pela UNESCO, acrescentando uma dimensão ecológica ao seu interesse geológico. O rio Manicouagan, visível saindo do reservatório, relembra a interação entre os processos naturais e as intervenções humanas.

Essas observações satelitais ilustram como a tecnologia espacial permite compreender melhor nosso ambiente, sobrepondo escalas de tempo que vão da pré-história à era moderna.
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