🥤 Crianças: Alimentos ultraprocessados ligados a distúrbios comportamentais

Publicado por Adrien,
Fonte: JAMA Network Open
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O que as crianças comem nos primeiros anos pode influenciar seu comportamento e emoções vários anos depois. Os pesquisadores observaram uma ligação entre uma alimentação rica em alimentos ultraprocessados aos três anos de idade e o aparecimento de dificuldades comportamentais aos cinco anos, como ansiedade, medo, agressividade ou hiperatividade.

O estudo acompanhou mais de 2.000 crianças canadenses desde o nascimento até a adolescência. Aos três anos, os pais detalharam a alimentação delas. Dois anos depois, os pesquisadores avaliaram seu comportamento por meio de um questionário reconhecido. Resultado: quanto mais as crianças consumiam alimentos ultraprocessados, mais altos eram seus escores de dificuldades emocionais e comportamentais.


Imagem ilustrativa Unsplash

Cada aumento de 10% nas calorias provenientes de alimentos ultraprocessados foi associado a escores mais altos para comportamentos ditos "internalizados" (ansiedade, medo) e "externalizados" (agressividade, hiperatividade). Essas associações permaneceram significativas após ajuste para outros fatores, como renda familiar ou escolaridade dos pais.

Entre os alimentos ultraprocessados, alguns mostraram uma ligação mais forte do que outros. Tratava-se especialmente de bebidas açucaradas ou adoçadas, bem como de pratos prontos para consumo ou para aquecer, como batatas fritas ou macarrão com queijo. Os pesquisadores também simularam mudanças alimentares em seus modelos estatísticos.

O estudo indica que substituir apenas 10% das calorias de alimentos ultraprocessados por alimentos pouco processados, como frutas ou legumes, poderia estar ligado a escores comportamentais mais favoráveis. Mesmo ajustes modestos na alimentação poderiam, portanto, permitir um desenvolvimento emocional mais saudável.

A pesquisadora principal, Kozeta Miliku, ela própria mãe de uma criança pequena, constatou o quanto os alimentos ultraprocessados são onipresentes na alimentação de crianças pequenas, às vezes até em ambientes percebidos como saudáveis. Ela ressalta que os pais fazem o melhor que podem, mas que esses alimentos são práticos, acessíveis e fáceis de obter.

O estudo não prova uma relação de causa e efeito, mas se soma a um número crescente de pesquisas que relacionam a alimentação ultraprocessada a problemas de saúde mental. Os autores esperam que esses dados ajudem a implementar intervenções precoces, como orientações aos pais ou normas nutricionais para creches.

O que é um alimento ultraprocessado?


Os alimentos ultraprocessados são produtos industriais elaborados a partir de ingredientes refinados e aditivos que não são encontrados em uma cozinha doméstica. Incluem conservantes, adoçantes, corantes e aromas artificiais. Exemplos comuns incluem refrigerantes, cereais açucarados, nuggets de frango, pratos congelados e biscoitos.

Esses alimentos passam por múltiplos processos industriais que alteram sua estrutura original. Frequentemente contêm gorduras hidrogenadas, xaropes de glicose-frutose e isolados proteicos. Seu objetivo é serem saborosos, de baixo custo e de longa conservação.
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