🦣 DNA de mamutes e outros animais da era do gelo descoberto em... fezes de esquilos

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
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No extremo norte canadense, uma descoberta surpreendente: fezes fossilizadas de esquilos terrestres árticos (no caso, esquilos terrestres) contêm DNA de mamutes lanudos e outros animais da era do gelo. Essas fezes, com centenas de milhares de anos, oferecem uma imagem genética muito precisa da vida na antiga Beríngia, região que ligava a Ásia e a América do Norte. Os pesquisadores ficaram estupefatos ao encontrar vestígios de grandes mamíferos extintos.

Com efeito, os esquilos terrestres árticos, longe de serem carnívoros, eram onívoros oportunistas. Alimentavam-se de plantas, fungos, insetos e, às vezes, de carniça. Mas também têm uma particularidade: acumulam todo tipo de objetos em suas tocas, como ossos ou sementes. Esse comportamento pode explicar a presença de DNA de grandes predadores ou presas em suas fezes. Alguns carnívoros podem até ter tentado atacar esses roedores, deixando seu DNA nas tocas.


Esquilo terrestre ártico (esquilo terrestre).
Imagem Wikimedia

Para este estudo, os cientistas analisaram amostras coletadas em tocas congeladas de Yukon. As mais antigas datam de cerca de 700 mil anos, o que as torna um dos DNAs mais antigos já recuperados e sequenciados. Reconstituíram mais de 18 genomas mitocondriais, incluindo os do mamute lanudo, do bisão das estepes, do cavalo, da lebre americana e do próprio esquilo. Esse recorde para um DNA fecal abre perspectivas inéditas.

Os coprólitos também revelaram fragmentos de DNA de lemingues, caribus, lobos cinzentos e um grande felino – talvez um puma ou o guepardo americano extinto. Mais de 200 grupos de plantas, além de fungos e bactérias, foram identificados. Essa diversidade genética faz dessas fezes de esquilos verdadeiros arquivos da Beríngia antiga, permitindo acompanhar a evolução dos ecossistemas ao longo de centenas de milhares de anos.


Fezes fossilizadas de esquilos terrestres árticos encontradas em Lower Quartz Creek, em Yukon.
Crédito: Duane Froese/Universidade de Alberta

Essa descoberta mostra que restos frequentemente negligenciados podem conter tesouros de informação. O DNA ambiental preservado nessas fezes permite reconstruir paleoambientes muito mais longe no tempo do que se pensava. Os pesquisadores esperam que esse método possa ser aplicado a outros sítios para entender as mudanças climáticas passadas e a extinção da megafauna.

Os esquilos atuais de Yukon agem como ratos coletores, trazendo para suas tocas uma variedade de materiais. Esse comportamento, aliado à conservação excepcional no permafrost, faz de seus coprólitos cápsulas do tempo únicas. O estudo, publicado na Nature Communications, abre caminho para futuras pesquisas sobre a evolução das espécies e as migrações antigas.
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