🩸 Dois grupos sanguíneos idênticos podem, na realidade, ter grandes diferenças

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications
Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
De acordo com os testes padrão, duas pessoas do grupo sanguíneo A são consideradas idênticas. No entanto, seus glóbulos vermelhos podem apresentar grandes diferenças. Essa disparidade, há muito tempo um enigma para a medicina transfusional, acaba de ser elucidada.

Na realidade, o grupo sanguíneo não se resume às letras A, B, AB ou O. Depende também do número de antígenos presentes na superfície dos glóbulos vermelhos. Esses antígenos são moléculas que o sistema imunológico utiliza para distinguir o 'próprio' do 'estranho'. Até agora, conhecíamos os genes que produzem esses antígenos, mas não por que sua quantidade varia tanto de uma pessoa para outra para um mesmo grupo sanguíneo.


Imagem de ilustração Pixabay

Para resolver esse problema, pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, olharam além dos próprios genes e se concentraram em sua regulação. Eles focaram nos fatores de transcrição, proteínas que agem como interruptores moleculares ao se fixarem em regiões específicas do DNA para controlar a expressão dos genes.

Graças a uma nova ferramenta computacional desenvolvida pela doutoranda Gloria Wu, a equipe mapeou cerca de 200 locais de fixação para os fatores de transcrição em 33 genes dos grupos sanguíneos. Essa abordagem permitiu prever onde a atividade dos genes poderia ser modificada, o que os testes genéticos clássicos não mostram.

Os pesquisadores então testaram seu método em um caso particularmente intrigante: o grupo sanguíneo Helgeson. Presente em cerca de 1% da população, essa variante rara se caracteriza por níveis anormalmente baixos de CR1, uma proteína envolvida na defesa imunológica. Sua causa genética permanecia desconhecida; até mesmo os testes de DNA tinham dificuldade em identificá-la.

A nova análise revelou que a variante Helgeson é provocada por uma ínfima mudança em uma sequência de DNA onde um fator de transcrição deveria se fixar. A proteína não conseguindo se ligar corretamente, o gene CR1 é apenas fracamente ativado, o que reduz a quantidade de molécula na superfície dos glóbulos vermelhos. Como explica Martin L Olsson, professor de medicina transfusional, "o gene então funciona em ritmo lento."


Essa descoberta também mostrou que a variante Helgeson é mais frequente entre doadores de sangue tailandeses do que suecos. Isso se explica pelo fato de que um baixo nível de CR1 protege contra a malária, uma doença parasitária muito presente no Sudeste Asiático. Assim, uma característica que complica os testes de transfusão oferece uma vantagem evolutiva nas regiões onde a malária é endêmica.

Os parasitas da malária têm mais dificuldade em penetrar nos glóbulos vermelhos que possuem pouco CR1. "Graças ao que sabemos agora, podemos melhorar os testes laboratoriais", declara Gloria Wu. A equipe planeja atualizar o chip de DNA usado para os grupos sanguíneos, incluindo essa nova variante, o que tornará o diagnóstico mais seguro.
Página gerada em 2.237 segundo(s) - hospedado por Contabo
Sobre - Aviso Legal - Contato
Versão francesa | Versão inglesa | Versão alemã | Versão espanhola