đŸš¶â€â™‚ïžâ€âžĄïž A marcha dos babuĂ­nos esclarece a evolução da bipedalidade humana

Publicado por Redbran,
Fonte: CNRS INEE
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Como a bipedalidade humana evoluiu para se tornar mais energeticamente eficiente? Ao analisar a marcha bĂ­pede ocasional dos babuĂ­nos, pesquisadores modelaram as transferĂȘncias de energia entre os segmentos corporais.

Seus resultados, publicados na revista American Journal of Biological Anthropology, revelam semelhanças e diferenças cruciais em relação aos humanos e sugerem que simples ajustes posturais podem ter desempenhado um papel fundamental no surgimento de uma bipedalidade mais eficiente em nossos ancestrais.


Imagem ilustrativa Pixabay

Andar sobre duas pernas de forma ereta nos parece hoje perfeitamente natural. No entanto, essa forma de locomoção, característica dos humanos, resulta de um longo processo evolutivo cujos mecanismos ainda são amplamente desconhecidos e são objeto de muitos estudos em antropologia biológica.

Uma equipe de pesquisadores dos laboratórios Histoire Naturelle des Humanités Préhistoriques (HNHP), Anthropologie bio-culturelle, Droit, Ethique et Santé (ADES) e da Station de Primatologie (SdP) investigou recentemente essa questão, focando na marcha bípede dos babuínos.

Embora sejam principalmente quadrĂșpedes, esses primatas ocasionalmente se locomovem sobre duas pernas. Sua postura, com quadris e joelhos flexionados, difere da nossa e exige mais energia. No entanto, essa forma de andar pode representar um estĂĄgio intermediĂĄrio na evolução da nossa bipedalidade. De fato, todos os primatas nĂŁo humanos que andam bĂ­pedes tĂȘm membros flexionados, sugerindo que a bipedalidade humana pode ter se originado de uma forma ancestral semelhante.

Para entender melhor, os cientistas analisaram os movimentos de 17 babuĂ­nos, jovens e adultos, medindo seus movimentos corporais e as transferĂȘncias de energia ao longo de 40 passos. Ao comparar esses dados com os dos humanos, buscaram compreender os mecanismos de uma marcha mais econĂŽmica.


Exemplos de troca de energia (potencial e cinética) no tronco e na perna em humanos e babuínos durante a marcha bípede. Grandes diferenças existem no tronco, mas a perna se move de maneira semelhante em humanos e babuínos, embora as posturas sejam diferentes.

Os resultados mostram, primeiro, que a eficiĂȘncia energĂ©tica varia com a idade: os babuĂ­nos jovens andam de forma diferente dos adultos. AlĂ©m disso, os babuĂ­nos recuperam muito menos energia de um passo para o outro em comparação com os humanos. No entanto, algumas partes do corpo, como coxas e pernas, apresentam movimentos semelhantes. Por outro lado, os movimentos do tronco e dos braços sĂŁo muito menos coordenados, resultando em perdas significativas de energia.

Assim, pequenos ajustes, especialmente no tronco, poderiam melhorar significativamente a eficiĂȘncia da marcha bĂ­pede nesses primatas. Esse resultado apoia a ideia de que nossos ancestrais podem ter adotado gradualmente uma marcha mais eficiente com pequenas mudanças na postura e na coordenação corporal, sem transformaçÔes radicais imediatas.


SequĂȘncia tĂ­pica de marcha bĂ­pede em babuĂ­nos.

Este estudo propÔe uma nova maneira de pensar a evolução da bipedalidade: não como uma revolução repentina, mas como um refinamento progressivo, composto por pequenos ganhos energéticos acumulados. Uma hipótese que coloca os gestos mais simples, como caminhar, no centro da nossa história evolutiva.
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