💧 Marte era quente, úmido e... habitável

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature Communications Earth & Environment
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Há bilhões de anos, o rosto de Marte provavelmente era muito diferente de sua aparência atual. Um estudo recente analisou minerais argilosos e neles detectou vestígios de períodos amenos e úmidos que se mantiveram por um longo período, o que contradiz a hipótese de um planeta uniformemente frio desde suas origens.


Para traçar essa evolução, os cientistas se baseiam em uma cronologia que divide a história do planeta. Uma dessas fases, a época Noachiana, que cobre o período de aproximadamente -4,1 a -3,7 bilhões de anos atrás, chama particularmente a atenção. Ela coincide com uma era de violentos bombardeios de meteoritos no Sistema Solar, que deixaram marcas gigantescas em Marte, como as bacias Hellas e Argyre.

O rover Perseverance da NASA, que pousou na cratera Jezero em 2021, fornece informações valiosas sobre essa época distante. Este local foi selecionado devido à presença passada de um lago, materializada por depósitos em forma de leque e canais escavados por fluxos líquidos. O exame de amostras coletadas no local, em particular seixos de argila ricos em alumínio chamados caulinita, fornece pistas sobre as condições que prevaleciam na época.

Uma composição química específica caracteriza esses minerais argilosos, com baixo teor de ferro e magnésio, mas altos teores de titânio e alumínio. Essa assinatura revela uma alteração pela água em temperaturas moderadas, e não por fontes hidrotermais muito quentes associadas a impactos ou vulcanismo. Os pesquisadores veem nisso a evidência de uma modificação prolongada sob o efeito de precipitações significativas.


Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)

Paralelos com argilas terrestres formadas durante períodos quentes e úmidos sustentam essa interpretação. Na Nature Communications Earth & Environment, os autores consideram que essas condições podem ter se estendido por milhares, ou mesmo milhões de anos, moldando ambientes potencialmente propícios ao surgimento da vida.

O Perseverance também reuniu amostras que podem apresentar sinais de vida antiga. Esses elementos preciosos são conservados em recipientes selados, aguardando uma missão de retorno à Terra. Obstáculos logísticos e financeiros levaram ao adiamento desse projeto, postergando assim as análises detalhadas que poderiam validar ou não essas possibilidades.

A continuação da exploração marciana, primeiro por robôs e talvez depois por seres humanos, permitirá aprofundar essas questões. Cada nova descoberta, como a das argilas transformadas pela chuva, ajuda a traçar uma imagem mais precisa do clima passado de nossa vizinha, que provavelmente foi muito mais hospitaleira do que é hoje, a ponto de talvez ter desenvolvido vida.


Ilustração do rover Perseverance no solo da cratera Jezero.
Crédito: NASA
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