🔭 O objeto interestelar 3I/ATLAS avistado antes de sua descoberta oficial

Publicado por Adrien,
Fonte: The Astrophysical Journal Letters
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Um curioso acaso marca o início da história do cometa interestelar 3I/ATLAS: ele foi fotografado por um observatório em fase de teste mais de uma semana antes de sua detecção oficial.

Em 1º de julho de 2025, a rede ATLAS anunciou a descoberta de 3I/ATLAS. Mas dez dias antes, o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, já tinha apontado seu espelho de 8,4 metros para o céu. Naquele dia, ele iniciava sua fase de validação científica.


Imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS capturadas pelo Observatório Rubin entre 21 de junho e 2 de julho de 2025 (à esquerda); 3I/ATLAS visto por Rubin em 3 de julho de 2025 (à direita).
Crédito: Chandler et al. 2026

Uma equipe liderada por Colin Orion Chandler, da Universidade de Washington, examinou as imagens de calibração do Rubin. E eis que surpresa: em 20 de junho, o cometa já estava lá, bem visível. Na época, as ferramentas de processamento de dados ainda não estavam operacionais. Os pesquisadores, portanto, tiveram que criar as suas próprias.

Entre 21 de junho e 2 de julho, o Rubin imortalizou 3I/ATLAS em mais nove ocasiões. As imagens mostram uma coma bem desenvolvida, prova de que o cometa já estava ativo. Se as ferramentas de processamento de dados estivessem prontas, essa detecção precoce talvez tivesse permitido anunciá-lo antes do ATLAS.

Duas sondas lançadas para Júpiter uniram forças para observar o cometa. A JUICE da ESA e a Europa Clipper da NASA, ambas equipadas com o espectrógrafo ultravioleta UVS do Southwest Research Institute, realizaram observações conjuntas no final de 2025. A passagem do cometa entre as duas naves permitiu vistas complementares.

A JUICE observou o lado diurno de 3I/ATLAS, enquanto a Europa Clipper examinava seu lado noturno. Essa configuração rara permitiu detectar as mesmas emissões de gás sob dois ângulos diferentes. Os cientistas mediram assim hidrogênio, oxigênio e carbono, provenientes da fragmentação das moléculas gasosas pela luz ultravioleta do Sol.


Cometa 3I/ATLAS visto pelo instrumento UVS a bordo da JUICE no final de 2025.
Crédito: NASA/ESA/Southwest Research Institute

A abundância de carbono revelou-se maior do que nos cometas do nosso Sistema Solar. Isso confirma as observações do telescópio espacial James Webb, que já havia detectado um excesso de dióxido de carbono. Ao comparar as proporções de gelo de água e gelo de dióxido de carbono, os pesquisadores esperam entender melhor o sistema estelar de origem do cometa.

O núcleo de 3I/ATLAS mede cerca de um quilômetro de diâmetro. O cometa tem pelo menos sete bilhões de anos, talvez até doze. Ele passou por numerosos encontros com outras estrelas, o que impulsionou sua velocidade para 225.000 km/h. O Rubin pode detectar, em média, um cometa interestelar por ano nos próximos dez anos.
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