💪 Os "superpoderes" dos tardígrados agora podem ser transferidos para outras espécies

Pequenos mas resistentes, os tardígrados são os campeões da longevidade e da sobrevivência em condições extremas. Alguns desses "superpoderes", que possuem graças a genes exclusivos de sua espécie, agora poderiam ser transferíveis para outras espécies por meio de modificação genética. Um estudo publicado na Science Advances que revoluciona o estudo do envelhecimento.

Os tardígrados são animais microscópicos que vivem em todos os ambientes úmidos, desde o fundo dos oceanos até o topo do Himalaia. Invisíveis a olho nu, esses organismos também chamados de "ursos-d'água" são capazes de resistir a estresses extremos, como o vácuo espacial, pressões muito altas, temperaturas extremas ou radiação.

Considerados os seres vivos mais resistentes da Terra, esses pequenos animais de menos de 1 mm despertam a curiosidade dos cientistas, que estudam suas propriedades notáveis e seus 41,1% de genes únicos que não existem em nenhuma outra família de organismos vivos.

Imagem Wikimedia

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Assim, a proteína Dsup (para Damage suppressor), homônima de um desses genes únicos dos quais ela é derivada, é capaz de proteger o DNA dos tardígrados do estresse oxidativo, e em particular da radiação e dos radicais livres. Essa descoberta já havia sido explorada com sucesso para tornar células humanas mais resistentes à radiação.

Mas uma questão surgiu desse estudo: o que aconteceria se a Dsup fosse expressa em um organismo inteiro? Para responder a isso, químicos e biólogos do CNRS, do INSERM e da Universidade de Montpellier introduziram o gene Dsup no genoma de Caenorhabditis elegans (C. elegans), um pequeno verme de 1 mm amplamente utilizado como modelo de genética quantitativa, entre outros, em pesquisas sobre o envelhecimento.

Graças a um método de inserção precisa do gene, eles geraram vermes que expressam a Dsup sem modificar seu crescimento, fertilidade ou comportamento. Esses vermes mostraram-se resistentes aos raios X e a agentes oxidantes como o peróxido de hidrogênio. A Dsup parece agir não por ativar os mecanismos clássicos de defesa celular, mas por reduzir diretamente a quantidade de radicais livres, essas moléculas instáveis que danificam as células.

O mais surpreendente: os vermes que expressam a Dsup vivem mais tempo. E isso sem desencadear as vias genéticas habituais ligadas à longevidade, como a da proteína FOXO/DAF-16, nem perturbar a reprodução. Melhor ainda, a equipe de Montpellier observou que a Dsup diminui o consumo de oxigênio pelas mitocôndrias, as centrais energéticas da célula, sem alterar sua estrutura, o que sugere uma modulação fina do metabolismo.

Um espécime do pequeno verme C.

Um espécime do pequeno verme C. elegans pode ser modificado geneticamente através da introdução em seu genoma do gene Dsup do tardígrado. A proteína Dsup expressa por esse gene no verme protege seu DNA, reduz o estresse oxidativo e prolonga sua vida. Um gene único do tardígrado, vindo de outro lugar, com efeitos poderosos na sobrevivência celular.
© Simon Galas, Myriam Richaud & Aymeric Bailly

Este trabalho, publicado na revista Science Advances, abre um novo caminho no estudo do envelhecimento. Pela primeira vez, a introdução de um gene proveniente de outra espécie permite prolongar a vida útil de um animal sem efeitos colaterais importantes. A Dsup poderia ser uma nova ferramenta para compreender, e talvez um dia controlar, os mecanismos do envelhecimento celular.

Redator: AVR