🪐 Um planeta gigante escondido por mais de dez anos

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A 63 anos-luz da Terra, um planeta gigante acaba de ser descoberto ao redor da estrela Beta Pictoris. Batizado de Beta Pictoris d, ele escapou dos astrônomos por mais de onze anos. Seu sinal, muito fraco, já estava presente em imagens arquivadas. Duas equipes o identificaram de forma independente.

Beta Pictoris é uma estrela muito jovem, com cerca de 23 milhões de anos. Para efeito de comparação, o Sol tem 4,6 bilhões de anos. Seu ambiente, portanto, permanece próximo ao de um sistema planetário em formação. Um vasto disco de poeira e detritos ainda envolve a estrela, com vários planetas gigantes já conhecidos.

Esta ilustração representa o sistema Beta Pictoris com, à direita, o exoplaneta gigante descoberto Beta Pictoris d. Sua órbita é a mais ampla dos três exoplanetas conhecidos do sistema.
Ilustração: NASA, ESA, CSA, STScI, Ralf Crawford (STScI)

A nova descoberta é o terceiro planeta observado neste sistema. Beta Pictoris b e c foram detectados anteriormente. Apenas o sistema HR 8799 já contava com três planetas imageados diretamente. Esses sistemas múltiplos permitem comparar vários mundos formados ao redor da mesma estrela, nas mesmas condições iniciais.

Beta Pictoris d é um gigante gasoso, como Júpiter ou Saturno. Sua massa é estimada em cerca de 2,4 vezes a de Júpiter. Os outros dois gigantes do sistema teriam cada um cerca de dez massas jovianas. O novo planeta é, portanto, o menos massivo dos três, embora ainda esteja longe de ser um mundo rochoso.

Ele orbita a cerca de 30 unidades astronômicas de sua estrela. Essa distância corresponde aproximadamente à região ocupada por Netuno no Sistema Solar. Seu ano duraria cerca de 91 anos terrestres. O planeta, no entanto, orbita dentro da borda do disco de detritos, onde os restos da formação planetária ainda são visíveis.

Sua detecção é notável porque Beta Pictoris d é muito pouco luminoso. Ele aparece cerca de 100 vezes menos brilhante que Beta Pictoris b. O Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul o observou diretamente do solo. De acordo com o ESO, é o exoplaneta mais fraco já imageado diretamente da Terra.

Outra equipe encontrou o planeta com o telescópio espacial James Webb. Eles distinguiram a assinatura química de sua atmosfera: ela contém monóxido de carbono, vapor d'água e metano. Essas assinaturas confirmaram que se trata de um planeta gigante gasoso.

Os dados de arquivo permitiram então acompanhar o planeta por mais de uma década. Ele era apenas visível em algumas imagens do VLT e do Webb. A descoberta mostra o interesse em reexaminar observações antigas com novas ferramentas; exoplanetas desconhecidos ainda podem estar escondidos nos dados já coletados.