⚫ Primeira detecção de um buraco negro primordial?

Publicado por Adrien,
Fonte: The Astrophysical Journal
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O Universo nos apresenta um enigma de grande magnitude: a maior parte de sua matéria, chamada matéria escura, escapa a qualquer detecção direta. No entanto, sua influência gravitacional é inegável, o que questiona nossa visão clássica da composição do cosmos.

Na busca por respostas, uma nova pista se delineia hoje com as ondas gravitacionais, essas vibrações do espaço-tempo previstas por Einstein. Detectadas pela primeira vez em 2015, elas constituem uma ferramenta para sondar fenômenos de outra forma invisíveis, como a colisão de objetos muito densos. A análise recente de um sinal curioso registrado pelo observatório de ondas gravitacionais LIGO traz uma pista interessante, para não dizer intrigante.


O sinal estudado provém de uma fusão envolvendo pelo menos um objeto muito denso, mas menos massivo que o Sol. Uma característica que vai contra o que sabemos sobre os menores buracos negros, os buracos negros estelares originários do colapso de estrelas supermassivas, bem mais massivas que o nosso Sol.

Nico Cappelluti e Alberto Magaraggia, da Universidade de Miami, acreditam que poderia se tratar de um buraco negro primordial, um objeto teórico nascido das flutuações de densidade logo após o Big Bang. Seus cálculos, publicados na The Astrophysical Journal, mostram que tais eventos seriam raros.

Ao contrário dos buracos negros estelares, os buracos negros primordiais teriam se formado nos primeiros instantes do Universo, com massas muito diferentes, podendo variar da de um asteroide à de um planeta. Essa ideia, proposta por Stephen Hawking nos anos 1970, permanece hipotética, mas sua identificação por meio das ondas gravitacionais poderia mudar tudo. Esses objetos não interagem com a luz, tornando-os invisíveis, ao mesmo tempo que possuem uma massa que influencia a gravidade.

Essa propriedade os torna candidatos ideais para esclarecer a natureza da matéria escura, que compõe cerca de 85% da matéria cósmica. De fato, os cientistas têm dificuldade em identificar esse componente, pois ele não emite nem absorve radiação eletromagnética. A confirmação da existência de buracos negros primordiais em número suficiente poderia, portanto, preencher essa lacuna, propondo uma solução elegante, sem recorrer a partículas exóticas, para uma questão persistente na astrofísica.


Crédito: NASA's Goddard Space Flight Center

Para consolidar essa hipótese, é necessária a detecção de outros sinais do mesmo tipo. Os futuros instrumentos, como o observatório espacial LISA, oferecerão uma sensibilidade muito maior, permitindo captar um número maior de ondas gravitacionais. Os pesquisadores observam que é preciso ter paciência, à semelhança da busca que levou à primeira detecção de ondas gravitacionais há dez anos.
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