🦋 Muitos insetos podem desaparecer com o aquecimento global

Publicado por Adrien,
Fonte: Nature
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Um estudo abrangente aponta uma situação preocupante entre os insetos tropicais. Poderíamos imaginar que essas espécies, acostumadas ao calor, se adaptariam facilmente ao aquecimento, mas a realidade é bem diferente. Muitos insetos das terras baixas não possuem a flexibilidade necessária para lidar com o aumento das temperaturas.

Para verificar isso, os pesquisadores examinaram mais de 2 000 espécies de insetos em diferentes regiões da África Oriental e da América do Sul, desde florestas montanhosas frias até savanas de planície. Este estudo, publicado na Nature, foi realizado em campo em 2022 e 2023 para medir os limites de tolerância ao calor desses animais.


Imagem ilustrativa Pixabay

Os resultados indicam que a capacidade de adaptação ao calor difere significativamente entre os grupos de insetos. Essas diferenças estariam relacionadas à estrutura e estabilidade das proteínas, características profundamente enraizadas na evolução. De acordo com o Dr. Marcell Peters, coautor do estudo, essas propriedades só podem ser modificadas muito lentamente, o que limita a resposta às mudanças climáticas.

Os insetos de grandes altitudes podem aumentar sua tolerância ao calor em curto prazo, ao contrário daqueles das terras baixas. Para estes últimos, o futuro parece mais incerto. As florestas tropicais, como a Amazônia, abrigam uma biodiversidade excepcional, mas correm o risco de perder grande parte de seus insetos se as temperaturas continuarem a subir.

As consequências para os ecossistemas podem ser severas. Os insetos desempenham papéis essenciais como polinizadores, decompositores e predadores. Seu declínio ameaçaria o equilíbrio desses ambientes. A perda dessas funções poderia ter repercussões em cascata sobre a flora e a fauna que delas dependem.

O estudo prevê que, no cenário atual de aquecimento, até metade das espécies de insetos amazônicos podem sofrer estresse térmico perigoso. Os cientistas também analisaram os genomas de muitas espécies para entender por que algumas resistem melhor ao calor, uma pista para antecipar melhor o impacto das mudanças climáticas.
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