☄️ O asteroide que matou os dinossauros também criou um ecossistema subterrâneo

Publicado por Adrien,
Fonte: Communications Earth & Environment
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O impacto que aniquilou os dinossauros pode também ter criado um dos ecossistemas subterrâneos mais duradouros da Terra. Um novo estudo revela que a cratera de Chicxulub abrigou um sistema hidrotermal ativo por pelo menos 8 milhões de anos, ou seja, quatro vezes mais do que os cientistas supunham anteriormente.

Em 9 de junho, pesquisadores publicaram seus trabalhos na revista Communications Earth & Environment. Ao combinar simulações computacionais avançadas e análise de rochas coletadas diretamente na cratera, eles constataram que a água quente circulava no subsolo muito depois do impacto. Essas condições ofereceram um refúgio ideal para os microrganismos.


Vista artística do meteorito que colide com a Terra.
Donald E. Davis — NASA

Para medir essa duração, os cientistas empregaram a técnica de datação argônio-argônio em cristais de feldspato ricos em potássio. Esses minerais se formam quando fluidos quentes atravessam as rochas. As amostras, recuperadas durante a expedição 364 do Programa Internacional de Descoberta Oceânica, indicam uma atividade hidrotermal que se estende de 66 a 58 milhões de anos.

Vários fatores explicam essa longevidade. As rochas fraturadas pelo impacto são muito permeáveis; o calor residual da colisão se soma à energia geotérmica natural da região. As simulações modernas, mais realistas, mostram que esse sistema pôde sustentar a vida microbiana por milhões de anos.

Esse tipo de ambientes hidrotermais é considerado como um possível berço da vida na Terra. Se sistemas semelhantes existiram em outros planetas, eles poderiam ter permitido que a vida emergisse mesmo após catástrofes. Por exemplo, em Marte, muitos impactos podem ter criado habitats subterrâneos muito depois de a superfície se tornar hostil.

Os pesquisadores observam que as rochas porosas das crateras oferecem proteção contra radiações e temperaturas extremas, permitindo que microrganismos se instalem e prosperem. Este estudo abre novos caminhos para a busca de vida extraterrestre, em particular em planetas ou satélites marcados por impactos antigos.
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