Uma campanha científica deve observar de perto as imensas nuvens de tempestade geradas por alguns incêndios. Batizada INSPYRE, ela mobiliza vários aviões, instrumentos em solo e satélites. Seu objetivo é entender como esses fenômenos impulsionam fumaça e partículas para as camadas superiores da atmosfera.
Essas formações são chamadas de pirocumulonimbus, ou pyroCb, ou tempestade de fogo. Elas aparecem quando o calor de um fogo cria uma corrente ascendente suficientemente forte para formar uma tempestade. A nuvem pode então produzir relâmpagos, modificar os ventos locais e transportar fumaça bem acima das altitudes normalmente alcançadas por um incêndio.

Ilustração NASA
A campanha de 2026 ocorre de 27 de julho a 11 de setembro no oeste da América do Norte. Ela associa especialmente um avião NASA ER-2 voando em alta altitude e um Gulfstream V operado pela NSF e pelo NCAR. Equipes em solo complementarão as medições com radares e lidars.
Os dois aviões não terão exatamente o mesmo papel. O ER-2 observará as nuvens à distância com instrumentos de sensoriamento remoto. O Gulfstream V coletará diretamente o ar nas plumas quando as condições permitirem. Essa combinação deve relacionar a estrutura da nuvem à sua composição química.
Os pesquisadores querem determinar quais incêndios produzem essas tempestades e por que alguns injetam fumaça na estratosfera. Essa camada atmosférica começa acima da zona onde se desenvolve a maior parte do clima. As partículas que a atingem podem, portanto, permanecer em suspensão e viajar por longas distâncias.
Os pirocumulonimbus também representam um risco imediato. Seus relâmpagos podem acender novos focos, e suas turbulências complicam o trabalho dos aviões encarregados do combate ao fogo. As plumas elevadas também podem perturbar as rotas aéreas e degradar a qualidade do ar longe da área afetada pelas chamas.
INSPYRE estudará também o efeito das fumaças no balanço radiativo terrestre. Certas partículas absorvem ou refletem parte da energia solar. Sua influência depende de sua altitude, tamanho e composição. Os dados devem ajudar a integrar melhor esses eventos nos modelos atmosféricos e climáticos.
Uma segunda campanha está prevista para 2027, a fim de ampliar a amostra e estudar incêndios com características diferentes.