Descoberta: alguns peixes usam ferramentas 🛠

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Durante muito tempo considerada um privilégio dos primatas e das aves, a utilização de ferramentas estende-se agora aos peixes. Um estudo revela que esta capacidade surpreendente está concentrada exclusivamente nos labrídeos, uma família de peixes de recife.

Sequência de ações durante o uso de uma bigorna. Um bodião-de-cabeça-amarela (Halichoeres garnoti) bate um braço de ofiúra em detritos, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Observações subaquáticas e contribuições de amadores permitiram identificar cinco espécies de labrídeos que usam pedras como bigornas para quebrar conchas. Estas descobertas, publicadas na revista Coral Reefs, questionam a nossa compreensão da inteligência animal.

Uma técnica precisa e que consome energia

Os labrídeos agarram as presas com a boca e batem-nas violentamente contra uma rocha. Este movimento lateral exige um gasto energético significativo, muitas vezes repetido várias vezes. Apesar disso, alguns indivíduos perdem a presa para competidores oportunistas.

A seleção de pedras parece deliberada, embora os peixes adaptem a sua abordagem de acordo com o ambiente. Ao contrário dos primatas, os labrídeos não apresentam lateralidade marcada: usam indiferentemente ambos os lados do corpo. Esta flexibilidade pode explicar o seu sucesso.

As presas visadas incluem caranguejos, ouriços-do-mar e estrelas-do-mar. Para os labrídeos menores, esta técnica permite aceder a recursos que de outra forma seriam inacessíveis. No entanto, os riscos de predação durante a operação permanecem desconhecidos.

Uma inteligência subestimada

Os labrídeos destacam-se pela sua morfologia bucal e pela sua dieta variada. A sua capacidade de explorar ferramentas pode resultar destas adaptações. No entanto, mesmo entre eles, nem todos adotam este comportamento, sugerindo um componente de aprendizagem social.

O estudo levanta uma questão fundamental: este conhecimento é inato ou adquirido? Experiências em curso tentam determinar se os labrídeos podem aprender por imitação. Os resultados podem esclarecer a evolução das capacidades cognitivas nos peixes.

Esta descoberta amplia o leque de animais que utilizam ferramentas, anteriormente limitado a algumas espécies consideradas "superiores". Convida-nos a reconsiderar a inteligência das criaturas marinhas, ainda largamente desconhecida.

Para saber mais: como definir o uso de ferramentas nos animais?

O uso de ferramentas implica a manipulação de um objeto externo para realizar uma tarefa específica, como alimentar-se ou defender-se. Nos labrídeos, bater uma concha contra uma pedra enquadra-se claramente nesta categoria.

Esta competência não é instintiva em todas as espécies. Muitas vezes requer uma combinação de capacidades motoras e cognitivas, como planeamento e ajuste ao ambiente.

Os critérios para qualificar um comportamento como "uso de ferramenta" ainda são alvo de debate. Alguns cientistas incluem ações simples, enquanto outros exigem uma complexidade demonstrada.