🦬 Veja como o ser humano mudou o DNA ancestral dos bisões

Ossos de bisões datados de até cerca de 20.000 anos mostram como sua história transformou seu patrimônio genético. Ao comparar esses animais antigos com os rebanhos atuais, os cientistas agora dispõem de uma referência anterior ao seu quase desaparecimento na América do Norte.

A equipe sequenciou o genoma de 115 bisões antigos e 45 bisões modernos provenientes de diferentes regiões do continente. O genoma reúne todo o conjunto de informações genéticas de um animal. Essa comparação permite acompanhar as relações entre populações ao longo de um período inacessível apenas com animais vivos.

Imagem ilustrativa Pixabay

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O contraste é nítido. No passado, as populações de bisões trocavam amplamente seus genes por grandes distâncias. Os rebanhos modernos aparecem muito mais separados uns dos outros, consequência do colapso populacional e, depois, da formação de populações isoladas.

Essa ruptura é recente na escala da espécie. Os bisões-americanos foram levados à beira da extinção no fim do século XIX, depois de terem sido extremamente numerosos. Os animais sobreviventes serviram então de base para a reconstituição dos rebanhos atuais, com deslocamentos organizados pelos seres humanos.

O DNA preserva o registro dessas intervenções. Os bisões-da-floresta modernos estudados apresentam, especialmente, uma ascendência proveniente do bisão-das-planícies. Os pesquisadores relacionam isso a transferências de animais realizadas na década de 1920, quando bisões-das-planícies foram deslocados para regiões ocupadas pelos bisões-da-floresta.

Outro resultado diz respeito aos cruzamentos com bovinos domésticos. Acasalamentos ocorreram no passado, e sua herança genética alimenta há muito tempo as discussões sobre conservação. No entanto, a análise mostra que muitos bisões não possuem a ascendência bovina às vezes considerada amplamente disseminada.

Na prática, dois rebanhos modernos podem, portanto, parecer pertencer à mesma espécie e, ao mesmo tempo, contar histórias genéticas diferentes. Alguns carregam a marca de deslocamentos recentes; outros conservaram mais características presentes antes do colapso demográfico. O DNA antigo fornece o ponto de comparação necessário para distinguir essas situações.

Essas informações podem ajudar a escolher como administrar as populações sem reduzir ainda mais sua diversidade. Um rebanho isolado conserva apenas uma parte da diversidade da espécie. Por outro lado, deslocar animais entre grupos pode modificar linhagens locais. Os dados genéticos permitem medir esses efeitos antes de decidir sobre possíveis intercâmbios.

O conjunto de genomas constitui, assim, uma referência para futuros programas de restauração. As próximas decisões poderão comparar os rebanhos atuais não apenas entre si, mas também com bisões que viveram milhares de anos antes das grandes transformações humanas. Essa profundidade histórica agora permite avaliar com mais precisão o que foi perdido, conservado ou misturado.