Uma nova geração de robôs médicos, inspirados pela natureza, promete navegar nos recantos mais remotos do corpo humano. A sua concepção flexível e a sua orientação magnética abrem perspectivas inéditas para as intervenções minimamente invasivas.
Estes dispositivos, desenvolvidos por uma equipa da Universidade de Macau, representam um avanço potencial para o diagnóstico e tratamento de patologias digestivas. Eles procuram contornar as limitações dos endoscópios convencionais, frequentemente percecionados como desconfortáveis pelos pacientes e de alcance limitado.
Uma inspiração vinda do deserto
O princípio de locomoção destes robôs inspira-se directamente numa aranha particular, a Carparachne aureoflava. Este espécime, originário das dunas da Namíbia, utiliza um movimento de rolamento para escapar rapidamente aos seus predadores em terrenos instáveis. Os engenheiros transpuseram este mecanismo natural eficaz num dispositivo artificial.

Ilustração esquemática dos robôs magnéticos flexíveis bioinspirados e das suas aplicações no domínio biomédical. Estas 'aranhas' são manipuladas por um braço robotizado com seis graus de liberdade para gerar campos magnéticos rotativos. Elas podem rastejar sobre superfícies inclinadas (incluindo deslocar-se de cabeça para baixo) e navegar no tubo digestivo.
A estrutura do robô é totalmente concebida a partir de materiais flexíveis e biocompatíveis. Esta flexibilidade é essencial para evitar danificar as paredes delicadas do tubo digestivo durante o seu deslocamento. O risco de lesão dos tecidos internos encontra-se assim consideravelmente reduzido.
O controlo do dispositivo efectua-se desde o exterior do corpo graças a um campo magnético gerado por um equipamento robotizado. Este sistema oferece uma grande precisão de movimento com seis graus de liberdade. O robô pode então ser pilotado de maneira muito fluida através dos órgãos.
Para ir mais longe: Quais são os limites actuais da endoscopia tradicional?
A endoscopia padrão utiliza um longo tubo flexível munido de uma luz e de uma câmara. A sua inserção pode ser desconfortável, necessitando frequentemente de sedação do paciente. A rigidez relativa do dispositivo limita o seu acesso às zonas mais sinuosas do intestino delgado.
A precisão do acto médico pode também ser condicionada pela forma do endoscópio. Os movimentos são por vezes menos finos do que o desejado para colheitas ou administrações de medicamentos muito localizadas. O campo de visão permanece limitado pela configuração da extremidade do tubo.
Além disso, o procedimento pode comportar riscos, embora baixos, de perfuração da parede digestiva. Estas limitações estimulam a pesquisa de soluções alternativas mais precisas e melhor toleradas. As novas tecnologias robotizadas visam directamente responder a estas desvantagens.