O Google recentemente protocolou um pedido de autorização junto à agência de proteção ambiental dos EUA. Seu objetivo? Soltar 64 milhões de mosquitos na Califórnia e na Flórida. Esta iniciativa pode parecer estranha, mas se baseia em um truque biológico particularmente engenhoso.
Na realidade, esses mosquitos não são comuns: são machos da espécie Culex quinquefasciatus, infectados por uma bactéria chamada Wolbachia pipientis. Esta bactéria é inofensiva para os humanos e para os próprios mosquitos machos. No entanto, quando esses machos infectados acasalam com fêmeas não infectadas, os ovos produzidos não podem eclodir. Resultado: a população de mosquitos diminui progressivamente.
Imagem ilustrativa Pixabay
Além disso, esta técnica, chamada incompatibilidade citoplasmática, já provou sua eficácia contra outras espécies de mosquitos, especialmente Aedes aegypti, que transmite a dengue e o Zika. Em Singapura, testes mostraram uma redução de 90% da população de mosquitos portadores de doenças, e uma queda de 70% no risco de contrair dengue para os habitantes.
Ademais, os cientistas elogiam esta abordagem por ser muito mais direcionada do que os inseticidas tradicionais. Estes últimos frequentemente matam outros insetos úteis, como as abelhas, e os mosquitos desenvolvem resistências. Em contrapartida, a bactéria Wolbachia é natural e específica para certas espécies de insetos. Ela não introduz nenhuma toxina no ambiente.
Quanto às preocupações ecológicas, elas são baixas. Os predadores que se alimentam de mosquitos são geralmente generalistas e não dependem de uma única espécie. Além disso, o desaparecimento local de Culex quinquefasciatus poderia dar lugar a outros mosquitos, mas os benefícios para a saúde pública são considerados muito superiores aos riscos potenciais.
Na verdade, este mosquito é o principal vetor do vírus do Nilo Ocidental nos Estados Unidos, uma doença que afeta cerca de 2.000 pessoas por ano e pode ser fatal. Somente na Califórnia, mais de 8.000 casos humanos e 400 mortes foram registrados desde 2003. Reduzir sua população poderia, portanto, salvar vidas sem prejudicar o meio ambiente.
O princípio da incompatibilidade citoplasmática
Este método baseia-se em uma particularidade da bactéria Wolbachia. Quando um macho infectado acasala com uma fêmea não infectada, os espermatozoides são modificados de tal forma que os embriões não conseguem se desenvolver.
Ao soltar um grande número de machos infectados na natureza, garante-se que a maioria das fêmeas não infectadas acasale com eles. Sua descendência é então bloqueada, o que faz cair a população de mosquitos ao longo das gerações. É uma forma de esterilização biológica, sem produtos químicos.
Esta técnica já é utilizada com sucesso em vários países contra o mosquito-tigre (Aedes albopictus) e o mosquito da dengue (Aedes aegypti). O Google agora a aplica a uma nova espécie, Culex quinquefasciatus, que transmite o vírus do Nilo Ocidental.