🧬 Células destruidoras surpreendentemente numerosas entre centenários

O sistema imunológico das pessoas que ultrapassam 110 anos guarda uma surpresa que pode ajudar a compreender sua longevidade fora do comum.

Pesquisadores estudaram certas células imunitárias em centenários e supercentenários, ou seja, pessoas com pelo menos 110 anos. Interessaram-se pelos linfócitos T, células que participam da vigilância do organismo. Uma população particular se torna muito mais presente por volta dos 100 anos.

Um linfócito T observado ao microscópio eletrônico de varredura e colorizado.

Um linfócito T observado ao microscópio eletrônico de varredura e colorizado.
Crédito: NIAID — CC BY 2.0

Essas células são linfócitos T CD4 capazes de matar diretamente algumas células. Normalmente, os linfócitos CD4 são conhecidos sobretudo por coordenar a resposta imunitária. Aqui, uma parte deles adquire capacidades destrutivas. Os pesquisadores os chamam de linfócitos T CD4 citotóxicos.

Para entender o que os torna especiais, a equipe examinou as células uma a uma e comparou seu funcionamento. Constatou que algumas famílias de linfócitos haviam se multiplicado intensamente. Células da mesma família compartilham uma origem comum e reconhecem o mesmo alvo. Essa multiplicação indica que provavelmente encontraram esse alvo várias vezes.

O fenômeno não se parece com um sistema imunológico que se esgota com a idade. As células observadas mantinham sinais de atividade. Sua abundância aumentava sobretudo a partir de cerca de 100 anos, o que indica uma transformação progressiva da resposta imunitária nas pessoas que atingem idades muito avançadas.

Outro resultado chama a atenção. Algumas sequências que permitem que essas células reconheçam seu alvo se pareciam com as de linfócitos já observados em tumores, especialmente cânceres de pulmão. Teríamos, portanto, aqui células imunitárias capazes de reconhecer, ou até destruir, tumores.

As pessoas que chegam aos 110 anos constituem uma população extremamente rara. Seu organismo pode apresentar várias particularidades ligadas à genética, ao estilo de vida ou ao seu histórico médico. Distinguir o que realmente favorece a longevidade do que é simplesmente uma consequência dela exige mais estudos.

Os pesquisadores agora podem investigar quais alvos provocam a multiplicação dessas células ao longo das décadas. Também poderão determinar se elas realmente eliminam células cancerosas ou outras células que se tornaram anormais com a idade. Essa etapa permitirá saber se essa resposta imunitária participa diretamente do envelhecimento saudável.