Os pedaços de plástico que flutuam perto das costas abrigam comunidades de microrganismos diferentes das que vivem livremente na água do mar.
Uma superfície submersa no oceano não permanece estéril por muito tempo. Organismos microscópicos se fixam nela e formam gradualmente uma comunidade. Os resíduos plásticos oferecem, assim, novos suportes duradouros. Esse habitat formado ao redor do plástico é chamado de «plastisfera».

Desta vez, os pesquisadores se interessaram pelas arqueias. Esses organismos microscópicos se assemelham externamente às bactérias, mas pertencem a outro grande ramo da vida. Elas estão presentes em muitos ambientes, incluindo os oceanos, e algumas participam das transformações naturais do carbono, do nitrogênio ou do enxofre.
Para descobrir qual é o impacto do plástico, a equipe comparou detritos recolhidos em ambientes marinhos costeiros com a água ao redor. Os pesquisadores analisaram o material genético presente nas amostras. Esse método permite identificar os grupos de arqueias e estimar as funções biológicas associadas aos seus genes.
As comunidades instaladas no plástico apresentavam maior diversidade e variavam mais de uma amostra para outra. Alguns grandes grupos de arqueias também eram mais representados nelas do que na água circundante. Portanto, o plástico não serve apenas como um suporte neutro: ele seleciona uma comunidade específica.
As diferenças também dizem respeito ao que esses organismos podem fazer. Os pesquisadores encontraram mais genes associados às transformações do metano, do nitrogênio e do enxofre nos plásticos.
Outra observação foi que a diferença entre as comunidades do plástico e as da água aumentava quando a pressão relacionada às substâncias químicas de origem humana era mais forte. Isso indica que várias formas de poluição podem agir conjuntamente sobre as comunidades microscópicas costeiras, embora o estudo ainda não permita medir todas as consequências.
O estudo estabelece, portanto, que as arqueias também respondem a esse novo habitat. Até agora, elas haviam recebido menos atenção do que as bactérias nas pesquisas dedicadas à plastisfera.
Os autores querem agora determinar melhor como essas mudanças se traduzem efetivamente nas trocas de carbono, nitrogênio e enxofre. Medir a atividade dos organismos, e não apenas seus genes, permitirá estimar o efeito concreto desses habitats artificiais sobre as zonas costeiras.