🌳 Recorde: âmbar de 385 milhões de anos descoberto na China

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Minúsculos fragmentos descobertos na China acabam de revolucionar a história do âmbar. Com cerca de 385 milhões de anos, eles constituem o exemplo mais antigo quimicamente confirmado. Esta descoberta ultrapassa em 65 milhões de anos o recorde anterior.

As amostras provêm da formação geológica de Hujiersite, em Xinjiang, noroeste da China. Elas estavam encerradas numa camada de carvão do Devoniano médio. A sua idade foi determinada principalmente pelo contexto geológico e pelos esporos fósseis vizinhos.

Fotografias do âmbar de Hujiersite, datado do Devoniano médio.
Os fragmentos, integrados no carvão ou isolados, medem entre 0,1 e 1,35 mm. Apresentam cores, transparências e por vezes bolhas diferentes. Sob luz ultravioleta, um deles produz uma forte fluorescência azul.

O âmbar forma-se quando uma resina vegetal se conserva e depois se transforma progressivamente durante a fossilização. As plantas produzem geralmente esta substância para cicatrizar as suas feridas. Ela também pode protegê-las contra certos micróbios ou organismos nocivos.

Neste caso, os fragmentos permanecem microscópicos. São, portanto, demasiado pequenos para conter insetos ou outros organismos visíveis, ao contrário de pedaços de âmbar mais recentes. O seu interesse científico reside sobretudo na sua antiguidade e na sua composição química.

Os investigadores analisaram esta composição com várias técnicas. Os resultados mostram uma resina rica em compostos terpénicos. A sua assinatura assemelha-se mais à das coníferas do que à das plantas com flor, apesar de estes grupos ainda não existirem.

A planta que deu origem a esta resina não pôde, no entanto, ser identificada. Nenhum fragmento estava diretamente associado a um tecido vegetal reconhecível. Os cientistas mencionam nomeadamente progimnospérmicas ou licófitas arbóreas, muito presentes nas paisagens da época.

O Devoniano marca uma etapa importante na evolução dos continentes. As plantas cresciam, desenvolviam madeira e formavam sistemas radiculares mais profundos. Pouco a pouco, estas transformações favoreceram o aparecimento das primeiras grandes florestas.

A descoberta indica, portanto, que a produção de resina surgiu muito cedo na história das plantas terrestres. Esta defesa química pode já ter servido contra ferimentos, infeções ou certos stresses ambientais.

Até agora, o âmbar mais antigo reconhecido datava de cerca de 320 milhões de anos. Estes novos fragmentos alargam consideravelmente esta cronologia. Mostram também que as plantas antigas já dispunham de mecanismos de proteção relativamente elaborados.