O calor escapa por todo o lado à nossa volta: nas fábricas, nos motores ou em alguns equipamentos eletrónicos. Esta energia é geralmente simplesmente dissipada, de certa forma 'atirada fora'.
Investigadores propõem uma nova forma de a recuperar para a transformar em eletricidade.

Os dissipadores de calor são muito comuns na área da eletrónica.
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O princípio baseia-se nos materiais termoelétricos. Quando existe uma diferença de temperatura entre as suas duas extremidades, estes podem gerar uma corrente elétrica. Parece simples, mas obter um dispositivo realmente eficiente é tecnicamente complicado.
O problema não advém apenas do material em si. As zonas de contacto entre os diferentes elementos do dispositivo podem travar a passagem das cargas elétricas. Também complicam a circulação do calor, o que limita o desempenho global.
A equipa trabalhou, por isso, nestas interfaces, a várias escalas. A ideia consiste em ligar mais finamente os contactos do módulo às estruturas internas do material. Esta continuidade permitiria gerir melhor, simultaneamente, os eletrões e o calor.
Por outras palavras, o dispositivo não procura apenas captar uma temperatura elevada. Também deve guiar a energia com o mínimo de perdas possível. É precisamente aí que a arquitetura proposta parece trazer uma melhoria.
Esta abordagem poderá interessar os locais industriais, onde são libertadas grandes quantidades de calor todos os dias. Poderá também encontrar lugar em sistemas mais compactos, sempre que exista uma fonte quente não utilizada.
A recuperação termoelétrica, por si só, não substituirá as grandes fontes de produção elétrica. No entanto, oferece uma forma discreta de valorizar uma energia já disponível. Cada ganho de eficiência pode contar quando repetido à grande escala.
Esta pista recorda que a transição energética passa também por uma melhor utilização da energia já produzida.