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🍁 Alterações climáticas: um efeito inesperado na qualidade do xarope de bordo
Publicado por Adrien, Fonte: Universidade Laval Outras Línguas: FR, EN, DE, ES
Uma temporada de safra adiantada pelo aquecimento pode modificar alguns sabores que surgem no final da colheita
Segundo Marie Filteau, professora da Faculdade de Ciências Agrícolas e de Alimentos, "o xarope de bordo produzido no final da temporada pode ter defeitos de sabor, como o famoso gosto de broto". Seu estudo sugere que, com as mudanças climáticas, as condições que levam a esses defeitos se tornariam mais raras durante o período de fluxo da seiva, o que se refletiria na qualidade do xarope de bordo.
Imagem ilustrativa Pixabay
Esta previsão corresponde a um período bem específico da temporada de colheita do xarope, momento em que a composição da seiva se modifica e influencia diretamente a qualidade do xarope. "A seiva fica enriquecida com certos nutrientes e os micróbios se multiplicam mais rapidamente nela. Como a água de bordo flui abundantemente, os produtores nem sempre conseguem fervê-la rápido o suficiente", relata a microbiologista. Esses elementos combinados podem levar a sabores desagradáveis e perdas significativas.
A professora Filteau observou em que momento ocorreria esse ponto de virada da seiva, com base em três trajetórias de emissões de gases de efeito estufa. O primeiro cenário prevê baixas emissões até atingir a neutralidade de carbono em 2075. O segundo mantém emissões próximas dos níveis atuais até 2050, antes de uma queda gradual. O terceiro considera um forte aumento das emissões, triplicando até 2075.
Nos três casos, a qualidade do xarope foi influenciada por um deslocamento do ponto de virada da seiva. "Quanto mais o clima aquece, mais cedo vamos colher, e menos o período de transição da seiva vai coincidir com o período de colheita", resume ela. Suas observações de campo nos últimos anos apoiam essa previsão, pois ela observa menos defeitos de qualidade com o clima em mudança.
Dias de fluxo e tecnologia
Alguns estudos sobre as consequências do aquecimento na produção de xarope preveem, no entanto, uma diminuição no número de dias de fluxo da seiva. A pesquisadora destaca que essa redução poderia ser parcialmente atenuada por uma diminuição das perdas relacionadas à qualidade. A tecnologia usada para a colheita também poderia desempenhar um papel na adaptação ao aquecimento.
Em seu estudo, a professora Filteau considerou a colheita por gravidade, com baldes, por exemplo, e a coleta a vácuo, que utiliza tubos de plástico e uma bomba. Esta última apresenta uma vantagem: como a colheita pode ser feita em temperaturas mais frias, a produção pode começar mais cedo do que com a gravidade.
Imagem ilustrativa Pixabay
"É uma pequena diferença que pode ter um grande impacto no final das contas", indica Marie Filteau. De fato, seu modelo prevê que os produtores que usam uma bomba poderiam atingir "100% de seiva boa", produzindo um xarope sem defeitos, entre 2040 e 2060, enquanto os sistemas por gravidade atingiriam esse desempenho entre 2060 e 2080.
A professora Marie Filteau continua suas pesquisas nessa direção, avaliando o efeito das mudanças climáticas nos microorganismos da árvore de bordo. "Tenho esperança de que o microbioma da árvore, que evolui rapidamente, vai ajudá-la a se adaptar", ela antevê.