🧠 Doença de Parkinson: uma proteína em particular pode desempenhar um papel determinante

Publicado por Adrien,
Fonte: Universidade Laval
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Há mais de 50 anos, a doença de Parkinson está associada a uma perda de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Um estudo realizado na Universidade Laval sugere que uma transformação da proteína cerebral parkina pode contribuir para essa perda e desempenhar um papel importante na evolução da patologia. Essa descoberta oferece uma nova pista para o desenvolvimento de tratamentos.

Em uma pessoa saudável, a parkina desempenha um papel importante na limpeza das células, ajudando a eliminar os resíduos. No cérebro das pessoas afetadas, no entanto, essa proteína parece adotar uma forma anormal que a impede de cumprir sua função. Os resíduos se acumulariam então, o que poderia levar à morte dos neurônios dopaminérgicos, responsáveis pela produção de dopamina.


Imagem de ilustração Pixabay

Essa forma anormal da parkina é insolúvel, ou seja, não se dissolve normalmente nas células e tende a se agrupar em grandes agregados. "Quanto maior a proporção de parkina agregada, maior a perda de dopamina", explica Frédéric Calon, professor da Faculdade de Farmácia e pesquisador do Centro de Pesquisa do CHU de Québec - Université Laval, que liderou o estudo. A transformação da proteína também estaria relacionada à evolução da doença. "Quanto mais tempo a doença dura, mais observamos o fenômeno", acrescenta.

Em modelos animais nos quais uma perda de dopamina foi provocada artificialmente, a parkina não formou esses agregados. Esse resultado apoia a hipótese de que a transformação da proteína não seria uma consequência da doença, mas sim desempenharia um papel precoce em seu desenvolvimento.

Uma região-chave


Embora a parkina seja encontrada em outras partes do cérebro, sua transformação ocorre apenas na substância negra, uma região no centro do cérebro que está fortemente envolvida na motricidade. "É um pouco como um sistema liga/desliga, ilustra o pesquisador. Quando a substância negra funciona, os movimentos são possíveis. Quando não funciona mais, eles se tornam muito difíceis."

A substância negra contém poucos neurônios dopaminérgicos, mas eles são muito ativos e particularmente vulneráveis. Sua perda leva aos principais sintomas motores da doença, como dificuldade em iniciar movimentos ou tremores em repouso.

Estudar essa região continua sendo um desafio, pois é pequena e difícil de observar. Para isso, a equipe colaborou com cientistas da Universidade de Saskatchewan, que possuem um banco de cérebros de pessoas com doença de Parkinson em diferentes estágios. "Vale realmente a pena olhar diretamente no cérebro das pessoas. Temos algumas com até 20 anos de doença, e outras em torno de 5 anos", indica o professor Calon, cujo estudo é apoiado pela Parkinson Canada.

Os trabalhos da equipe se concentraram na observação desse fenômeno, mas outras pesquisas serão necessárias para entender seus mecanismos. No futuro, compreender melhor essa transformação pode abrir caminho para novas abordagens terapêuticas. "Poderíamos tentar reverter o processo para proteger os neurônios dopaminérgicos", conclui Frédéric Calon.
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