E se as grandes extinções da Terra não fossem causadas apenas por asteroides ou vulcões, mas também pela passagem de planetas errantes? Um estudo recente propõe que a passagem de objetos do tamanho de Plutão poderia ter desencadeado tsunamis gigantes e erupções vulcânicas, perturbando o clima e aniquilando uma parte significativa da vida na Terra.
O impacto de Chicxulub, há 66 milhões de anos, Ă© famoso por ter precipitado o fim do reinado dos dinossauros. No entanto, outras extinções muito mais massivas, como a do Permiano-Triássico há 251 milhões de anos, permanecem inexplicadas. Nenhuma cratera ou anomalia de irĂdio está associada a elas. Os cientistas procuram há muito tempo um mecanismo capaz de explicá-las.
Segundo Daniele Fargion, pesquisador da Universidade de Roma e do Observatório de Capodimonte, essas catástrofes poderiam ter uma origem comum: a passagem próxima de objetos de massa planetária provenientes do Sistema Solar externo. Essas passagens gerariam marés gravitacionais imensas, deformando a crosta terrestre e desencadeando erupções vulcânicas gigantescas, tsunamis planetários e perturbações climáticas duradouras.
Existem indĂcios de tais passagens no sistema Terra-Lua. Corais fĂłsseis mostram que o nĂşmero de dias em um ano diminuiu rapidamente no final do Devoniano. Isso indica que a Lua se afastou da Terra mais rapidamente do que o normal, um fenĂ´meno que uma colisĂŁo nĂŁo poderia explicar. Uma passagem massiva poderia ter puxado a Lua pela gravidade, alterando sua Ăłrbita.
A frequĂŞncia desses eventos ainda Ă© difĂcil de estimar. Fargion utiliza JĂşpiter como laboratĂłrio: sua ligeira inclinação e calor interno inexplicado poderiam resultar de 16 colisões com objetos da metade da massa terrestre.
Para a Terra, mesmo sem colisão, passagens seriam suficientes para provocar várias extinções importantes. Isso talvez explicasse o paradoxo de Fermi: civilizações poderiam ser apagadas por esse tipo de cataclismo cósmico. A ameaça principal não é o impacto em si, mas as ondas gigantes que varrem os continentes durante anos.
Existe um reservatório de corpos de grande porte, com múltiplos planetas anões, na periferia do Sistema Solar. Se um deles mergulhasse em direção aos planetas internos, devido a uma perturbação em sua órbita, esse tipo de cataclismo poderia ocorrer. A humanidade deveria então se refugiar nas terras altas, longe dos oceanos, para esperar sobreviver.
Longe de ser mera especulação, essa hipótese abre uma nova pista para compreender as grandes crises da biodiversidade. Ela nos lembra que a Terra não está isolada: o balé dos planetas anões pode, de vez em quando, decidir o destino da vida.
As marés gravitacionais
As marés não são apenas um fenômeno oceânico exclusivamente ligado à Lua. Qualquer objeto massivo que se aproxime de um planeta exerce uma força de maré, ou seja, uma diferença de atração entre o lado próximo e o lado distante. Quanto mais massivo e próximo o objeto, mais forte é o efeito.
Se um planeta anão do tamanho de Plutão roçasse a Terra, a maré seria tão poderosa que levantaria ondas de várias centenas de metros de altura, deformaria a crosta terrestre e geraria calor interno, provocando erupções vulcânicas massivas. Esses efeitos poderiam durar anos, perturbando duravelmente o clima.
Esse mecanismo permite explicar como um único evento pode causar ao mesmo tempo tsunamis, erupções e mudanças climáticas, sem deixar uma cratera de impacto.