🦤 O crânio do dodô revela capacidades até então desconhecidas

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O dodô talvez não fosse a grande ave desajeitada descrita durante séculos.

O exame digital de crânios indica que ele dispunha de um olfato desenvolvido e de um bico sensível, duas aptidões úteis para procurar alimento no chão.

O animal vivia apenas na ilha Maurício antes de sua extinção no século XVII. Os restos bem preservados são poucos, especialmente os crânios completos. Essa raridade limita fortemente o conhecimento de seus sentidos, de seu comportamento e de seus hábitos diários.

Para obter novas informações sem danificar os raros espécimes, os cientistas utilizaram a tomografia computadorizada. Essa técnica produz imagens internas por meio de raios X. Os dados servem depois para reconstruir em três dimensões as cavidades do crânio e a forma deixada pelo cérebro.

Essa impressão interna, chamada de endocasto, não reproduz cada detalhe do cérebro. Ela informa, no entanto, sobre o tamanho relativo de certas regiões, sobre os nervos e sobre os canais relacionados aos órgãos sensoriais. Os resultados foram comparados com os do dronte de Rodrigues e de várias aves aparentadas.

Os bulbos olfativos do dodô aparecem relativamente desenvolvidos. Essas estruturas cerebrais processam os odores. Sua forma é compatível com um animal capaz de usar mais o olfato do que muitas aves atuais, talvez para localizar frutas, sementes ou outros alimentos na vegetação.

O bico traz outra pista. Os canais destinados aos nervos parecem compatíveis com uma sensibilidade tátil acentuada. Concretamente, o dodô provavelmente conseguia obter informações ao tocar o solo ou objetos com o bico, como fazem algumas espécies que procuram alimento pouco visível.

A anatomia do olho e das regiões associadas também permite considerar uma atividade ao amanhecer ou ao crepúsculo. Essa interpretação permanece prudente: um crânio não fornece nem uma agenda precisa nem uma observação direta do comportamento. Ele fornece apenas indícios anatômicos compatíveis com certos modos de vida.

Esses resultados corrigem sobretudo a imagem de um animal com capacidades reduzidas. Eles mostram uma ave adaptada à sua ilha, dotada de meios sensoriais coerentes com uma vida terrestre. Os pesquisadores poderão agora comparar essas reconstruções com mais aves insulares, a fim de separar melhor os traços herdados das adaptações próprias do dodô.

TI
TitouB

Se bico fosse sensível, ele estaria cavando a terra como as galinhas? 😮